Domingo, 26 de Julho de 2026 às 19:07
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Mulheres Negras Marcham no Rio: Exigindo Bem-Viver, Reparação e Fim do Racismo Estrutural

Mulheres Negras Reivindicam Bem-Viver e Fim do Racismo em Grande Marcha no Rio de Janeiro

Milhares de mulheres negras ocuparam a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, neste domingo (26), em um ato poderoso pela defesa da democracia, contra o racismo e pela busca por reparação e bem-viver. A 12ª edição da Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro reuniu ativistas, educadoras, mães e cidadãs em um chamado contundente por políticas públicas eficazes.

O evento, que ocorreu logo após o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, foi um marco na luta por igualdade e justiça social. A pauta principal é a necessidade de enfrentar as desigualdades históricas e o racismo estrutural que afetam diretamente a população negra no Brasil.

Conforme informação divulgada sobre o evento, a coordenadora do Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, Cláudia Vieira, destacou que o bem-viver é o objetivo final, e este só será alcançado com medidas de reparação efetivas, que incluam a escuta das mulheres negras e o reconhecimento do racismo como um problema social profundo. A marcha buscou dar visibilidade à conexão entre racismo, capitalismo e a instabilidade econômica, política e social enfrentada pelas mulheres negras.

A Luta pelo Bem-Viver e a Superação das Pautas de Sobrevivência

A educadora Bárbara Carine, que participou da marcha com sua família, ressaltou a importância de incluir as crianças nesse processo de mobilização e conscientização. Para ela, a política é fundamental para entender a identidade, os direitos e a distância ainda a ser percorrida para atingir a equidade. A marcha é vista como um momento de celebração das conquistas históricas, mas, principalmente, de projeção para um futuro de bem-viver, onde as pautas de sobrevivência possam ser superadas.

Marielle Franco Presente: Símbolo de Luta e Resistência Política

A memória e o legado da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, foram novamente reverenciados durante a marcha. Faixas, camisetas e discursos ecoaram o nome de Marielle, que se tornou um símbolo da luta por justiça e participação política. Marinete Silva, mãe de Marielle, esteve presente no ato, reforçando a importância da continuidade da luta e da participação política das mulheres. “Ela foi tombada, mas não nos deixa calar”, afirmou Marinete, destacando que a política era um projeto de Marielle e que a presença das mulheres nas ruas é essencial.

Celebrando Ancestralidade e a Cultura Negra através da Arte

A marcha foi embalada por apresentações artísticas de grupos como Afrolaje, Angoleiras e Obara Ilê de Ouro. As performances celebraram a ancestralidade, a resistência e a rica produção cultural negra, fortalecendo o sentimento de pertencimento entre as participantes. Cinthia Garcia e Laísse Santos, que atuam com afroturismo em Maricá, descreveram a experiência como um sentimento de “pertencimento”.

Direito de Existir e o Resgate de Histórias Invisibilizadas

A luta das mulheres negras também se manifesta no direito de existir plenamente, expressando sua identidade sem críticas ou preconceitos. Cinthia Garcia explicou que a marcha defende o direito de usar cabelos naturais, turbantes e elementos ancestrais com orgulho. Ela e Laísse Santos ressaltaram que o racismo se manifesta também no apagamento das contribuições da população negra para o desenvolvimento do país. “Nossa luta é de resgate dessas histórias invisibilizadas”, concluiu Cinthia, enfatizando a necessidade de reconhecer quem realmente construiu a nação.

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