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Pink Money: O Poder do Consumo LGBTQIAPN+ que Movimenta R$ 420 Bilhões no Brasil e Impulsiona a Economia

O “dinheiro rosa” e seu impacto econômico no Brasil: um mercado em ascensão

O termo pink money, que se refere ao poder de consumo da população LGBTQIAPN+, ganhou força nos Estados Unidos na década de 1980 e, no Brasil, movimenta um valor estimado em R$ 420 bilhões anuais, de acordo com a consultoria Out Now. Historicamente, esse mercado era associado a nichos específicos, como viagens, lazer e entretenimento, muitas vezes de forma estereotipada.

Nos anos 1990, o mercado brasileiro voltado para a comunidade LGBTQIAPN+ se concentrava em espaços considerados seguros, como bares e casas noturnas. Figuras icônicas como a drag queen Silvetty Montilla, que iniciou sua carreira nessa época, viram no cenário noturno uma oportunidade de crescimento profissional e financeiro, decidindo se dedicar exclusivamente a ele quando o retorno se tornou expressivo.

A partir dos anos 2000, o mercado LGBT+ no Brasil começou a expandir significativamente. Clovis Casemiro, gerente de membros da Associação Mundial de Turismo LGBT+ (IGLTA), explica que esse crescimento esteve ligado a uma maior tranquilidade das pessoas em se assumirem. A Parada de São Paulo, por exemplo, teve um grande aumento em sua relevância e impacto econômico.

A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, em 2025, movimentou cerca de R$ 550 milhões na economia paulistana, conforme dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). No entanto, Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), destaca a dificuldade em captar patrocínios, com empresas investindo menos no Brasil em comparação com outros eventos.

O Fenômeno do “Pink Washing” e a Busca por Autenticidade

Uma prática preocupante é o pink washing, onde empresas utilizam símbolos LGBT+, especialmente em junho, Mês do Orgulho, sem, contudo, promoverem direitos efetivos para a comunidade. Para combater essa superficialidade, o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ reúne companhias comprometidas com a promoção dos direitos da comunidade.

O Grupo Heineken é um exemplo de empresa engajada, que investe no empoderamento de funcionários LGBT+ e apoia bares de proprietários LGBT+. Vetusa Pereira, gerente de diversidade, equidade e inclusão do Grupo Heineken, explica que a iniciativa visa um desenvolvimento saudável e seguro para a comunidade, garantindo que o investimento retorne de forma positiva.

Grandes Eventos e o Impacto no Turismo e Comércio

Eventos de grande porte, como o show da Madonna no Rio de Janeiro em 2024, atraem milhões de pessoas e geram um impacto econômico considerável. A Prefeitura do Rio informou que o evento movimentou cerca de R$ 800 milhões na economia carioca, um retorno financeiro quarenta vezes superior ao investimento. Siluana Bezerra, dona de uma loja no Saara, no Rio, relata que 90% do público em datas de grandes shows é LGBT+, impulsionando o comércio local.

A rede hoteleira também se beneficia. Pedro Barroso, general manager de um hostel próximo à praia de Copacabana, menciona a expansão do estabelecimento para atender à crescente demanda desse público, demonstrando a importância econômica do turismo LGBT+.

Preconceito: Um Dreno para a Economia Brasileira

Apesar dos avanços, o preconceito ainda representa um prejuízo significativo para a economia do Brasil. Um estudo do Banco Mundial aponta que o país perde anualmente mais de R$ 94 bilhões devido à exclusão de pessoas LGBT+ do mercado de trabalho.

A população trans enfrenta desafios ainda maiores, com apenas 25% tendo emprego formal em 2023 e salários 32% menores que a média nacional, segundo o Ipea. A assessora parlamentar Andréa Brazil compartilhou suas dificuldades em se manter no mercado de trabalho formal, sendo criticada por sua voz quando atuava como operadora de telemarketing.

Empreendedorismo e Projetos Sociais: A Força da Comunidade

Andréa Brazil encontrou no empreendedorismo uma forma de conquistar dignidade, abrindo um salão de beleza e, posteriormente, realizando o sonho de ser estilista, criando looks que celebram a causa LGBT+. Seu empreendimento evoluiu para o projeto social Capacitrans, que capacita a população LGBT+, especialmente pessoas trans e travestis, em diversas áreas profissionais.

O jornalista Francisco Borges, pai solo de seis filhos adotivos, observa essa transformação com otimismo. Ele ressalta a crescente atenção da sociedade à forma como empresas e instituições lidam com as pautas LGBT+, buscando ambientes inclusivos e que reflitam a diversidade em suas programações e conteúdos educacionais.

O episódio “Pink Money: o Valor da Diversidade”, do Caminhos da Reportagem, aborda essa temática nesta segunda-feira (8), às 23h, na TV Brasil.

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