Padre impede Lavagem da Madeleine em Paris, celebração afro-brasileira migra para área pública com show de Mariene de Castro
A tradicional Lavagem de Madeleine, evento afro-brasileiro que atrai milhares de pessoas em Paris, teve sua 25ª edição impedida de acontecer na escadaria da igreja homônima. A decisão, comunicada pelo pároco da igreja, Monsenhor Patrick Chauvet, forçou os organizadores a transferirem a celebração para uma área pública em frente ao templo.
Apesar da mudança de local, a festa promete manter sua essência e grandiosidade, com a expectativa de receber cerca de 60 mil pessoas. Além dos rituais religiosos, a celebração contará com apresentações artísticas, tendo a cantora Mariene de Castro como principal atração.
A organização do evento lamentou a decisão e reiterou a abertura para o diálogo, conforme informado em nota oficial. A Arquidiocese de Paris, procurada pela reportagem, não apresentou justificativas para a negativa. Conforme informação divulgada pelos organizadores, a 25ª edição da Lavagem de Madeleine permanece aberta ao diálogo com a igreja.
Mudança de local e promessa de grande festa
A negativa do pároco para a realização da lavagem na escadaria, que ocorria há mais de duas décadas, levou à realocação do evento para a área pública em frente à igreja. A mudança, no entanto, não diminuiu o entusiasmo dos organizadores e participantes, que esperam uma celebração vibrante e cheia de cultura brasileira.
A cantora Mariene de Castro será a estrela principal, comandando o evento em um trio elétrico ao lado do mestre de cerimônias, Robertinho Chaves. A programação musical também inclui a participação de artistas como o cantor Jau, a artista franco-brasileira Gildaa e Lorena Pires. A festa integrará samba, maracatu, capoeira e uma ala de baianas.
Lavagem da Madeleine: um patrimônio cultural e de resistência
Inspirada na Lavagem da Igreja do Bonfim, em Salvador, a Lavagem da Madeleine é reconhecida desde 2022 pelo Ministério da Cultura francês como **patrimônio imaterial** e faz parte do calendário cultural de Paris. O evento, que celebra a diversidade religiosa e a cultura afro-brasileira, também integra a Rota dos Escravizados da UNESCO, conectando locais históricos relacionados à escravidão.
A celebração é ecumênica, reunindo referências do catolicismo e das religiões de matriz africana. Em edições anteriores, contou com a presença de renomados artistas como Preta Gil, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Daniela Mercury e Margareth Menezes, além de Carlinhos Brown e Olodum, demonstrando a **importância cultural e social** do evento.
Chamado à união e à tolerância
Diante da proibição, a organização da 25ª Lavagem da Madeleine emitiu um comunicado conclamando o apoio de artistas, instituições culturais, líderes religiosos, movimentos sociais e de toda a sociedade civil. O chamado visa reforçar a defesa da **liberdade religiosa, da diversidade e dos direitos humanos**, além de celebrar a resistência cultural.
“Convocamos artistas, instituições culturais, líderes religiosos, movimentos sociais, brasileiros, franceses, imigrantes e todas as pessoas comprometidas com a liberdade religiosa, a diversidade e direitos a apoiarem a 25ª edição da Lavagem e a se unirem a esta demonstração de resistência cultural”, afirma a nota oficial da organização, destacando o compromisso com a **tolerância e a divulgação da cultura brasileira na Europa**.
Aproximação de datas religiosas e silêncio da Arquidiocese
A negativa da Igreja ocorre em um período em que a Arquidiocese de Paris, em seu site oficial, divulga um chamado aos católicos para demonstrarem “amizade” à comunidade judaica, que celebra o Ano Novo (Rosh Hashaná) e o Yom Kippur. Apesar das tentativas de contato, a Arquidiocese de Paris não forneceu explicações sobre a proibição do evento afro-brasileiro. O espaço permanece aberto para manifestações da igreja e do pároco Patrick Chauvet.
