USD ... | EUR ... | PETR4 R$ 37,24 ▼ -1,38% | VALE3 R$ 84,82 ▲ 0,59% | ITUB4 R$ 33,50 ▲ 1,12% | B3SA3 R$ 12,40 ▼ -0,45% | BBAS3 R$ 56,90 ▲ 0,22% | IBOV 127.000 pts ▼ -0,80% | BTC R$ 340.000 ▲ 2,00% | JA Money Acompanhe em tempo real
ADVERTISEMENT

ONU cobra Brasil por Justiça e Reparação nos Crimes de Maio: “Ciclo de Violência Não Pode Continuar”

ONU exige que Brasil garanta justiça e reparação pelos Crimes de Maio, 20 anos após a tragédia

Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) se manifestaram sobre os graves eventos ocorridos em maio de 2006, conhecidos como Crimes de Maio. Em um comunicado divulgado recentemente, eles reconheceram a **séria violação de direitos humanos** e demandaram que o Estado brasileiro promova a **responsabilização** pelas mortes e pela impunidade que perdura até hoje.

Os Crimes de Maio tiveram início com rebeliões em presídios de São Paulo, desencadeadas pela transferência de centenas de detentos, incluindo líderes do PCC, para uma unidade de segurança máxima. Nos dias seguintes, os conflitos se estenderam às ruas, resultando em ataques e confrontos violentos entre o PCC e agentes do Estado.

O saldo foi trágico: **mais de 500 mortos** em todo o estado, muitos com fortes indícios de terem sido vítimas de execuções extrajudiciais por parte da polícia. A falta de clareza e a impunidade desses casos levaram organizações de direitos humanos a buscar a intervenção da ONU, e agora, a entidade internacional reforça a necessidade de **ações concretas** por parte do Brasil.

Denúncia de Omissão e Apelo por Justiça

Em maio deste ano, a organização Conectas Direitos Humanos e o Movimento Independente Mães de Maio enviaram um apelo urgente à ONU, denunciando a **omissão do Estado brasileiro** em relação aos Crimes de Maio. O documento solicitou que o país assegure o direito à memória, à verdade, à reparação e a **garantias de não repetição** de tamanha violência.

As entidades ressaltaram que **nenhuma execução foi devidamente esclarecida**, nenhum agente do Estado foi responsabilizado e as famílias das vítimas **não receberam reparação adequada**. Essa persistente falta de ação motivou a intervenção dos especialistas da ONU.

ONU: Crimes de Maio não devem prescrever e exigem investigação rigorosa

Os especialistas da ONU afirmaram que os Crimes de Maio devem ser classificados como **graves violações de direitos humanos**, e por isso, **não devem estar sujeitos a qualquer prazo de prescrição**. A baixa quantidade de condenações até o momento, segundo eles, aprofundou a impunidade e prejudicou o direito à verdade.

Negar acesso à Justiça com base em prazos de prescrição, na visão dos especialistas, agrava o sofrimento das famílias e contribui para a impunidade do **racismo sistêmico e da violência racializada** praticada por autoridades policiais no Brasil. Eles enfatizam a necessidade de romper esse ciclo.

Apelo por Pleno Acesso à Justiça e Reparações

“O pleno acesso à justiça e a recursos eficazes, investigações confiáveis sobre mortes ilegais com base em padrões internacionais, em particular o Protocolo de Minnesota, para garantir a plena responsabilização, reparações para as vítimas e garantias de não repetição, são essenciais para romper o ciclo de violência e cumprir as obrigações internacionais”, declararam os especialistas da ONU.

Em paralelo, mães e familiares de vítimas da violência estatal lançaram a segunda fase do Tribunal Popular, uma iniciativa simbólica para **julgar o Estado brasileiro** pelos crimes cometidos durante os Crimes de Maio e combater a violência policial.

Posição do Governo de São Paulo

Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou que **todas as ocorrências de morte decorrente de intervenção policial (MDIP) são rigorosamente investigadas**. A pasta destacou que as investigações contam com o acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Judiciário, e que as circunstâncias de cada caso são analisadas individualmente com base em elementos técnicos e periciais.

Menu