USD ... | EUR ... | PETR4 R$ 37,24 ▼ -1,38% | VALE3 R$ 84,82 ▲ 0,59% | ITUB4 R$ 33,50 ▲ 1,12% | B3SA3 R$ 12,40 ▼ -0,45% | BBAS3 R$ 56,90 ▲ 0,22% | IBOV 127.000 pts ▼ -0,80% | BTC R$ 340.000 ▲ 2,00% | JA Money Acompanhe em tempo real
ADVERTISEMENT

Motoristas de App: Exploração disfarçada de empreendedorismo, revela estudo

Uma análise recente aponta para uma realidade alarmante no trabalho por aplicativos no Brasil: longas jornadas e exploração, distanciando-se da ideia de empreendedorismo. A constatação é de um estudo do cientista político Leonardo Sakamoto em seu livro, em coautoria com o jornalista Carlos Juliano Barros, que investiga as condições enfrentadas por esses trabalhadores.

O livro, lançado em São Paulo e Brasília, com apresentação também na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), argumenta que a promessa de autonomia e controle sobre o próprio trabalho esconde uma dinâmica onde as plataformas digitais retêm a maior parte dos ganhos, deixando aos motoristas e entregadores uma parcela insuficiente.

Além da questão financeira, o estudo alerta para a ausência de direitos trabalhistas e a falta de contribuições previdenciárias, o que compromete o futuro desses profissionais, impossibilitando aposentadoria e segurança em casos de imprevistos.

A pesquisa também aborda a crescente culpabilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por problemas como salários baixos e jornadas exaustivas, uma narrativa que, segundo o autor, ignora a real responsabilidade dos empregadores e do sistema político. Sakamoto identifica um ataque sistemático aos direitos trabalhistas, alimentado por influenciadores e políticos.

O levantamento aponta ainda para preocupações relacionadas ao avanço da inteligência artificial e à precarização do trabalho através da pejotização e do uso de freelancers fixos sem direitos. A persistência de formas arcaicas de exploração, como o trabalho escravo e infantil, coexistindo com as tecnologias modernas, também é destacada.

O autor defende que a tecnologia pode ser tanto um instrumento de precarização quanto uma ferramenta de mobilização para os trabalhadores. No caso dos motoristas de aplicativo e entregadores, a luta se concentra na garantia de um preço mínimo justo por corrida e em condições de trabalho adequadas, com a mobilização ocorrendo também através das redes sociais.

Sakamoto critica a narrativa de que o Brasil possui direitos trabalhistas excessivos e ressalta a existência de um pensamento escravagista em diferentes esferas de poder, mesmo diante de estruturas de proteção como a Justiça do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho. O autor lamenta a recepção negativa por parte da elite financeira à PEC das Domésticas, que garantiu direitos importantes a essa categoria.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Menu