Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026 às 07:43
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Lula na ONU: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, alerta contra ingerência externa e fake news

Lula reforça soberania brasileira e critica ingerência estrangeira na ONU

Em discurso contundente na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a importância da soberania dos países, com foco especial nas realidades da América Latina e do Brasil. Lula destacou as pressões e tentativas de influência estrangeira sobre processos políticos nacionais, enfatizando que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

O presidente alertou para o recrudescimento de tentativas hegemônicas na região, ressaltando que a proximidade geográfica com grandes potências torna essas pressões inescapáveis. Ele mencionou a recorrente ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais como gestos anacrônicos que atentam contra a autodeterminação dos povos.

Lula lembrou o longo caminho percorrido pela América Latina e Caribe para consolidar regimes democráticos após períodos de ditadura e autoritarismo, defendendo a integração regional e o respeito à vontade popular. A declaração ocorre em um contexto de crescentes debates sobre a democracia e a soberania nacional no cenário global, conforme divulgado pelo Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.

Democracia sob ameaça e a força das fake news

O chefe de Estado brasileiro alertou que a democracia está novamente em xeque no mundo. Ele criticou a volta de práticas incompatíveis com a ordem internacional contemporânea, como a interferência em eleições e a busca por recursos estratégicos através de investidas neocoloniais. Lula citou especificamente Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba como exemplos de países que enfrentam tais desafios.

O presidente ressaltou que cada povo deve ter o direito de definir seu próprio caminho, sem interferências externas. Ele também abordou o perigo das redes de desinformação durante campanhas eleitorais, assegurando que o Estado brasileiro estará vigilante contra possíveis tentativas de interferência. “Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra a vontade popular”, declarou.

Combate ao negacionismo e à desinformação científica

Lula também destacou os perigos do negacionismo, especialmente em temas cruciais como saúde e meio ambiente. Ele lamentou que, na era da desinformação, “os obscurantistas resistem às evidências da ciência”. O presidente relembrou as perdas de vidas pela falta de cuidado no enfrentamento à COVID-19 e criticou campanhas contra vacinas que trazem de volta doenças erradicadas.

A postura negacionista em relação às mudanças climáticas também foi alvo de críticas. Lula observou o desaparecimento do tema das agendas do G7 e G20, fóruns essenciais para discutir a crise climática. Ele defendeu a retomada da ofensiva contra o negacionismo e a imposição de uma derrota a essa corrente de pensamento.

Segurança pública: soberania e cooperação internacional

Em relação à segurança pública, Lula rejeitou a participação de forças estrangeiras no combate ao crime organizado em território nacional. Ele defendeu, contudo, a cooperação internacional em áreas específicas, como o combate ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro. “Não vamos transferir a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo”, afirmou.

O presidente enfatizou que o enfrentamento ao crime deve ocorrer por meio da cooperação entre governos, e não por ações militares externas. Ele mencionou que o Brasil apresentou aos Estados Unidos uma proposta de cooperação para combater a lavagem de dinheiro praticada por criminosos brasileiros no exterior, reforçando a importância de parcerias para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime organizado.

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