Terça-feira, 27 de Outubro de 2026 às 20:14
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Eleições em Israel: Netanyahu pode ser destronado por linha-dura em votação histórica após 7 de Outubro

Israel em Votação: O Futuro Político do País em Jogo após Ataque do Hamas

Israel está nas urnas nesta terça-feira (27) para eleger seus representantes, em um pleito que marca a primeira vez que os cidadãos votam desde o brutal ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. A expectativa é alta, pois o resultado pode significar a saída do poder do atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, após quase duas décadas de liderança.

A disputa se concentra entre três principais nomes, todos com perfil de linha-dura em questões militares e de segurança. Benjamin Netanyahu, do partido Likud, enfrenta a concorrência de Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e membro do recém-criado partido Yashar (Íntegro), e de Naftali Bennett, líder da coalizão Juntos (Beyahad) e ex-primeiro-ministro.

Apesar das diferenças, um ponto em comum entre os principais candidatos é a rejeição à criação de um Estado palestino e a defesa do desarmamento do Hamas. No entanto, divergências sobre a expansão de assentamentos na Cisjordânia e a forma de conduzir a segurança nacional marcam o debate. Conforme apurado pela Agência Brasil, o resultado só deve ser conhecido no final desta quarta-feira (28), devido à votação em cédula de papel.

Candidatos de Linha-Dura e a Segurança Nacional

Os três principais candidatos à liderança de Israel compartilham uma visão de segurança nacional considerada rígida. A professora de relações internacionais Karina Stange Calandrin, do Ibmec de São Paulo, explica que todos são classificados como “falcões”, acreditando em uma abordagem firme contra os inimigos e desconfiando de negociações e diplomacia para resolver os dilemas do país.

Benjamin Netanyahu, que já acumula 19 anos no poder, busca a reeleição com o partido Likud. Seu principal opositor, Gadi Eisenkot, integrou o gabinete de guerra após o 7 de outubro, mas deixou o governo criticando a gestão da operação em Gaza. Eisenkot acusa Netanyahu de negligenciar o resgate de reféns e de não ter agido preventivamente, mesmo com alertas sobre a ação do Hamas, alegações que o primeiro-ministro nega.

Naftali Bennett, com um perfil religioso e que já ocupou o posto de primeiro-ministro por um ano, lidera uma coalizão de partidos e também se posiciona como uma alternativa forte. A proximidade ideológica em termos de segurança entre os três é notável, o que torna a escolha do eleitor israelense ainda mais complexa.

Divergências sobre a Questão Palestina e Assentamentos

Um ponto de consenso entre os favoritos é a recusa à criação de um Estado palestino, uma posição que, segundo Karina Calandrin, reflete o sentimento atual da sociedade israelense, que perdeu apoio à ideia após o 7 de outubro. “Qualquer candidato que tenha a bandeira do Estado palestino não vai ganhar muitos votos”, afirma a especialista.

Contudo, as divergências surgem na política de assentamentos na Cisjordânia. Partidos alinhados a Netanyahu têm incentivado a expansão desses assentamentos, inclusive em áreas proibidas pela legislação israelense, o que, segundo a professora, tem alimentado a violência e a expulsão de famílias palestinas. Espera-se que os adversários de Netanyahu busquem frear essa política e reduzir a tensão na região.

O professor Michel Gherman, da UFRJ, destaca que, enquanto Bennett tem uma postura similar à de Netanyahu em relação aos palestinos, Eisenkot pode apresentar um caminho mais moderado. “Netanyahu é a favor de um Estado beligerante completo. Eisenkot é a favor de acordos, não com os palestinos neste momento, mas com os países árabes ao redor”, comenta Gherman.

Formação de Governo e o Papel das Minorias

O sistema parlamentarista de Israel exige que os partidos mais votados formem uma maioria para a criação de um gabinete. Com 120 cadeiras na Knesset, o Parlamento, o partido vencedor precisará negociar coalizões. A professora Karina Calandrin avalia que tanto o partido de Eisenkot quanto o de Bennett podem necessitar do apoio de legendas árabes para atingir a maioria.

No entanto, a formação de coalizões se mostra um desafio, pois os principais candidatos declararam não pretender alianças com partidos árabes israelenses. “Vai ser muito difícil formar a coalizão sem os árabes”, prevê Calandrin, que sugere que, a menos que haja uma mudança de estratégia focada em remover Netanyahu do poder, a formação de uma coalizão estável pode ser inviável.

Michel Gherman propõe uma saída alternativa onde os partidos árabes votariam contra Netanyahu, permitindo a formação de uma “coalizão de minoria”. Essa estratégia, embora complexa, poderia ser a chave para a governabilidade em um cenário político fragmentado.

O Legado do 7 de Outubro

O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.200 pessoas e no sequestro de cerca de 200 reféns, deixou marcas profundas em Israel e moldou o cenário político atual. A subsequente operação militar em Gaza, que causou a morte de mais de 75 mil pessoas e a destruição da infraestrutura civil, tem sido apontada como genocídio por diversos países e especialistas.

A política de assentamentos ilegais na Cisjordânia, impulsionada nos últimos anos, e conflitos anteriores com o Líbano, Síria e Irã também pesam no contexto eleitoral. A forma como os candidatos pretendem lidar com essas questões complexas e garantir a segurança e a estabilidade de Israel definirá o futuro do país.

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