USD ... | EUR ... | PETR4 R$ 37,24 ▼ -1,38% | VALE3 R$ 84,82 ▲ 0,59% | ITUB4 R$ 33,50 ▲ 1,12% | B3SA3 R$ 12,40 ▼ -0,45% | BBAS3 R$ 56,90 ▲ 0,22% | IBOV 127.000 pts ▼ -0,80% | BTC R$ 340.000 ▲ 2,00% | JA Money Acompanhe em tempo real
ADVERTISEMENT

Islamofobia no Brasil: Mulheres Muçulmanas Sofrem Ataques e Discriminação nas Ruas e na Internet, Revela Estudo da USP

Islamofobia no Brasil: Mulheres Muçulmanas Sofrem Ataques e Discriminação nas Ruas e na Internet, Revela Estudo da USP

A intolerância religiosa contra mulheres muçulmanas no Brasil é uma realidade alarmante. Um estudo recente aponta que a vasta maioria dessas mulheres enfrenta ataques motivados pela islamofobia, um reflexo direto do ódio e da discriminação contra sua fé.

Os dados revelam que a violência se manifesta tanto no ambiente físico, como nas ruas e no trabalho, quanto no espaço virtual, especialmente nas redes sociais. As consequências vão desde danos psicológicos graves até a perda do emprego.

O relatório, conduzido pelo Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (Gracias) da USP, analisou relatos de 328 mulheres e evidenciou a urgência de se combater o preconceito. Conforme informação divulgada pelo Gracias da USP, 8 em cada 10 mulheres muçulmanas no Brasil sofrem ataques motivados por islamofobia.

Brasileiras Convertidas São as Mais Alvo de Islamofobia

A pesquisa detalha que 84,5% das vítimas de islamofobia são brasileiras que se converteram ao islamismo. Os pesquisadores atribuem esse índice à forte articulação coletiva dessas mulheres. Em seguida, aparecem brasileiras de famílias islâmicas (80,4%), estrangeiras convertidas (75%) e estrangeiras nascidas muçulmanas (60%).

Violência em Diversos Espaços Sociais

A discriminação contra mulheres muçulmanas é percebida em diversas esferas da vida. Quase todas as participantes brasileiras convertidas (96,7%) afirmam que a mulher muçulmana é discriminada no país. Os ataques ocorrem frequentemente nas ruas (36,4%), na internet (30,9%) e no ambiente de trabalho (19,7%).

Essas experiências de islamofobia têm levado a sérios problemas de saúde mental, como depressão e transtorno de ansiedade. Algumas entrevistadas relataram ter sido forçadas a mudar de carreira devido à perseguição religiosa. Outras foram associadas ao terrorismo, com comentários ofensivos como “mulher bomba” sendo proferidos em ambientes profissionais.

Um caso chocante relatado foi o de uma recepcionista demitida após um contador questionar sua religião e vestimenta, alegando que isso causaria má impressão aos clientes. “A mídia não tem interesse em dar espaço ao Islam, aos muçulmanos, não tem interesse em aprender que usar o véu não retira o pensamento, não transforma mulheres em seres ignorantes, nem tudo é sobre opressão, pode ser também liberdade, escolha e principalmente devoção”, critica a professora Francirosy Campos Barbosa, coordenadora do Gracias.

Baixa Confiança nas Autoridades e na Justiça

Um dado preocupante é a baixa taxa de registro de boletins de ocorrência. Apenas 6% das brasileiras convertidas e 8,7% das brasileiras nascidas em famílias muçulmanas denunciam os casos à polícia. A principal razão apontada é a falta de confiança na investigação e na resolução dos casos de islamofobia.

O Brasil não possui dados exatos sobre a comunidade islâmica, pois o Censo Demográfico não informa essa informação de forma desagregada, o que dificulta a mensuração precisa do problema da islamofobia.

Redes Sociais: Palco de Ataques e Discriminação

O ambiente virtual é um dos principais focos de islamofobia. O Instagram lidera o ranking de agressões, concentrando 74,5% dos casos. O Facebook e o WhatsApp somam 34,2%, seguidos pelo TikTok (16,8%) e X (7,5%).

No Instagram, a exposição da aparência e do cotidiano religioso facilita a marginalização. No Facebook, a polarização e a formação de comunidades contribuem para a disseminação do ódio. O TikTok se destaca pela rápida replicação de vídeos. Apesar das políticas de combate à violência declaradas pelas plataformas, especialistas apontam que elas minimizam a gravidade das ameaças.

Em resposta, a Meta, empresa dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, afirmou que não permite conteúdo que promova ataques baseados em características protegidas, como religião, e que remove tais conteúdos ao identificá-los. O TikTok não respondeu aos questionamentos, e o X não foi contatado.

Menu