Quarta-feira, 12 de Agosto de 2026 às 08:37
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INPC despenca em julho com deflação de 0,01%, mas acumula alta de 4,10% em 12 meses impactando salários

INPC registra deflação em julho, trazendo alívio pontual após meses de alta, mas acumulado anual mantém pressão sobre salários.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) surpreendeu o mercado ao registrar uma leve deflação de 0,01% em julho, um alívio após um período de aumentos contínuos. Esta é a primeira vez desde agosto de 2025 que o indicador apresenta variação negativa, um respiro para as famílias brasileiras.

No entanto, a boa notícia pontual não apaga a pressão inflacionária acumulada. Em um horizonte de 12 meses, o INPC acumula uma alta de 4,10%, um percentual que continua a impactar diretamente o poder de compra e o cálculo de reajustes salariais em diversas categorias profissionais.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também apresentou o desempenho do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país. O IPCA fechou julho com alta de 0,07% e acumula 4,44% em 12 meses, impulsionado principalmente pela queda nos preços dos alimentos.

Entendendo as diferenças entre INPC e IPCA

A distinção entre o INPC e o IPCA reside no público que cada índice representa. O INPC foca nas famílias com renda de um a cinco salários mínimos, refletindo mais de perto os gastos de uma parcela significativa da população assalariada. Já o IPCA abrange um leque maior, de um a 40 salários mínimos.

Essa diferença de abrangência se reflete na composição dos índices. No INPC, por exemplo, os alimentos têm um peso maior, representando cerca de 25% do índice, dado que famílias de menor renda destinam uma proporção maior de seus orçamentos para a alimentação. Em contrapartida, itens como passagens aéreas pesam menos no cálculo do INPC.

O impacto do INPC no bolso do trabalhador

O INPC desempenha um papel crucial no cotidiano de muitos brasileiros, pois seu acumulado de 12 meses é frequentemente utilizado para o reajuste de salários de diversas categorias. O próprio salário mínimo, por exemplo, tem seu cálculo influenciado por esses dados.

Além disso, o INPC é a referência para o ajuste do seguro-desemprego, do teto do INSS e de benefícios de quem ganha acima do salário mínimo, com base no resultado acumulado até dezembro. A meta do INPC, conforme o IBGE, é precisamente a correção do poder de compra dos salários, medindo as variações de preços para a cesta de consumo da população assalariada de menor rendimento.

Cesta de preços monitorada pelo INPC

A coleta de preços que compõe o INPC é realizada em dez regiões metropolitanas estratégicas do país, incluindo Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. A pesquisa também abrange outras capitais importantes como Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

No ano de 2026, o INPC acumula uma alta de 3,5%. A última vez que o índice registrou deflação foi em agosto de 2025, quando apresentou uma variação negativa de 0,21%. A deflação em julho representa um fôlego temporário, mas a atenção se volta para o acumulado anual e seus efeitos no poder de compra.

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