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Inflação em Maio: Alimentos Disparam e Pressionam Bolso do Brasileiro, IPCA Chega a 0,58% e Acumulado Supera Teto de Tolerância

Inflação de Maio Acelera com Alimentos e Supera Meta: IPCA Sobe 0,58% e Acumulado de 12 Meses Ultrapassa Limite

O preço dos alimentos voltou a pesar significativamente no orçamento das famílias brasileiras em maio. A inflação oficial do período, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou 0,58%, impulsionada principalmente pela alta nos itens da cesta básica. Este percentual, embora menor que nos meses anteriores, fez com que a inflação acumulada em 12 meses atingisse 4,72%, ultrapassando o teto de tolerância estipulado pelo governo.

Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam um cenário de persistente pressão inflacionária, especialmente no setor de alimentos. A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo entre 1,5% e 4,5%. O descumprimento ocorre quando a inflação excede esse limite por seis meses consecutivos.

A última vez que o acumulado de 12 meses ficou fora do limite de tolerância foi em outubro de 2025, quando o índice marcou 4,68%. O IPCA de maio veio acima das expectativas do mercado financeiro, que projetava 0,48% para o mês, segundo o Boletim Focus do Banco Central. Para o final de 2026, as projeções do mercado apontam para uma inflação de 5,11%.

Alimentos e Bebidas: O Principal Vilão da Inflação de Maio

O grupo de alimentação e bebidas foi o que mais impulsionou o IPCA em maio, com uma variação de 1,33%. Este aumento corresponde a um impacto de 0,29 ponto percentual na inflação mensal, representando metade do índice geral divulgado. Itens como batata-inglesa, que subiu impressionantes 44,69%, tomate (20,62%), carnes (1,39%) e cebola (16,80%) foram os principais responsáveis por essa alta expressiva.

Este foi o terceiro mês consecutivo em que a inflação dos alimentos superou a marca de 1%. No acumulado dos primeiros cinco meses de 2026, o grupo de alimentação e bebida já acumula uma alta de 4,81%. Comparativamente, a taxa de 1,33% registrada em maio é a maior para o mês desde 2015, quando o índice foi de 1,37%. Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, atribui essa elevação à menor oferta de alguns produtos e ao aumento do custo do frete rodoviário.

Gonçalves também aponta que o aumento no preço dos fertilizantes, influenciado pelo conflito no Oriente Médio, pode ter elevado os custos de produção e sido repassado aos consumidores. Se o grupo de alimentação e bebidas fosse excluído do cálculo do IPCA, a inflação de maio teria sido de apenas 0,37%, demonstrando o peso significativo deste setor no índice geral.

Energia Elétrica Eleva Custos com Bandeira Tarifária Amarela

Outro grupo que exerceu forte pressão sobre a inflação em maio foi o de habitação, com uma alta de 1,22%, impactando em 0,18 ponto percentual o índice geral. O principal responsável por essa elevação foi o preço da energia elétrica residencial, que subiu 3,67%. A conta de luz se tornou o item individual que mais contribuiu para o aumento da inflação no mês, com um impacto de 0,15 ponto percentual.

A elevação na conta de luz se deve, em parte, à implementação da bandeira tarifária amarela, que adiciona um custo extra de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos. Essa bandeira também estará em vigor para o mês de junho, mantendo a pressão sobre os gastos das famílias. Adicionalmente, o IBGE monitorou reajustes contratuais na conta de luz em seis capitais, cujos efeitos foram incorporados à média nacional.

Combustíveis Trazem Alívio, Mas Transportes Apresentam Queda

Em contrapartida, o grupo de transportes apresentou uma deflação em maio, com uma queda média de preços de 0,46%. Essa redução foi puxada principalmente pela queda nos preços dos combustíveis, que recuaram 1,95%. A gasolina, em particular, foi o produto que mais contribuiu para a queda da inflação em maio, com um impacto negativo de 0,08 ponto percentual no IPCA.

O etanol registrou uma queda de 6,20%, seguido pelo óleo diesel com 2,34% e a gasolina com 1,46%. No entanto, o gás veicular apresentou comportamento oposto, com uma alta de 5,81% no mês. O índice de difusão, que mede a amplitude da alta de preços, indicou que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram seus preços elevados em maio, evidenciando que a inflação ainda está presente em uma parcela significativa da economia.

Serviços e Preços Monitorados: Inflação Persiste

O IBGE também analisa a inflação em dois grandes grupos: serviços e preços monitorados. Em maio, o grupo de serviços registrou uma inflação de 0,40%, acumulando 5,97% em 12 meses. Já o grupo de preços monitorados, que inclui itens como combustíveis e tarifas reguladas, apresentou uma taxa de 0,43% no mês e 5,85% em 12 meses. Ambos os grupos mostram uma inflação persistente, embora com dinâmicas distintas.

O IPCA abrange o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos, com coleta de preços realizada em dez regiões metropolitanas, além do Distrito Federal e outras capitais. A análise dos dados do IBGE reforça a necessidade de atenção contínua às políticas econômicas para conter a inflação e garantir o poder de compra da população brasileira.

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