Quinta-feira, 23 de Julho de 2026 às 14:37
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Governo do Rio Demite 30 Comissionados no Instituto Rio Metrópole Após Investigação de Desvio de R$ 80 Milhões

Instituto Rio Metrópole passa por intervenção com exonerações e suspensão de contratos em meio a suspeitas de desvios milionários.

O governo do Rio de Janeiro promoveu uma **série de exonerações e substituições** no Instituto Rio Metrópole (IRM) nesta quarta-feira (22). Ao todo, 30 cargos comissionados foram extintos, e duas novas nomeações foram realizadas para vagas deixadas por diretores presos. Outros dois diretores do órgão também foram substituídos.

A autarquia, responsável por elaborar projetos em áreas cruciais como mobilidade, saneamento, meio ambiente, tecnologia e habitação, está no centro de uma investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A operação, deflagrada no último dia 9, aponta para **indícios de desvio de mais de R$ 80 milhões** em recursos públicos.

Adicionalmente, foi determinada a suspensão de todos os contratos em andamento no IRM até a conclusão de uma auditoria interna. Um grupo de trabalho, composto por representantes do IRM e da Controladoria-Geral do Estado (CGE), terá 30 dias para analisar os contratos e apresentar suas conclusões. Conforme divulgado pelo MPRJ, essas medidas ocorrem desde que o secretário de Estado de Governo e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Roberto Lisandro Leão, assumiu interinamente a presidência do IRM.

Operação Revela Esquema de Corrupção e Fraudes em Licitações

A investigação do MPRJ resultou na denúncia de 11 pessoas à Justiça, acusadas de crimes como organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e contratações, e lavagem de dinheiro. O esquema teria utilizado **contratos milionários firmados pelo IRM** entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar verbas públicas, totalizando um valor estimado em R$ 80 milhões.

Entre os detidos estão o ex-presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como “Didê”, e Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do órgão e integrante da Comissão Técnica de Licitação. Maurício Knoploch é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ). Outro denunciado e preso é Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil.

Procurador-Geral Aponta Ambiente Propício à Corrupção no Estado

Após a operação, o Procurador-Geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, expressou preocupação com o que descreveu como um **”ambiente institucional no estado voltado à corrupção”**. Ele sugeriu que essa situação pode explicar as dificuldades financeiras enfrentadas pelo estado há décadas.

Moreira afirmou que “inúmeras estruturas do Estado, órgãos que deveriam prestar serviços ao cidadão, foram cooptadas por delinquentes, transformando essas estruturas em antros de corrupção”. Ele destacou que a investigação no Rio Metrópole envolve um contrato de R$ 80 milhões e que outros casos de grave gravidade também estão sob investigação.

O Procurador-Geral ressaltou, no entanto, que o momento atual de **integração institucional tem favorecido o combate às irregularidades**. Segundo ele, a atuação integrada, mas com independência entre as instituições, tem sido fundamental para investigar crimes e atos de improbidade administrativa no Rio de Janeiro.

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