CNI mantém projeção de crescimento do PIB em 2%, mas aponta desafios para a economia
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quarta-feira (22) seu Informe Conjuntural do 2º Trimestre, mantendo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2% para o ano de 2024. A entidade prevê um avanço moderado da economia, com impulsionamento vindo principalmente da indústria extrativa, do agronegócio e da resiliência do setor de serviços.
Apesar do cenário positivo em alguns segmentos, a CNI alerta que fatores como juros elevados, inflação persistente, aumento dos custos de produção e o crescimento das importações podem limitar uma recuperação econômica mais robusta. Segundo Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI, o crescimento continuará sustentado por setores ligados a commodities e por estímulos à demanda, mas a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais permanecem como entraves.
Conforme informação divulgada pela CNI, a entidade também revisou para cima suas projeções para a inflação e a taxa básica de juros (Selic), indicando um cenário de maior cautela para os próximos meses. A preocupação com o cenário fiscal também é um ponto de atenção, com projeções de que as contas do governo permaneçam no vermelho, elevando o endividamento do país.
Inflação e Cenário Fiscal Preocupam
A CNI elevou sua expectativa para a inflação em 2024, prevendo agora que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) suba de 4,4% para 5%. A pressão sobre os preços ao consumidor deve vir, principalmente, dos alimentos, combustíveis e da inflação de serviços. No cenário fiscal, a entidade projeta que a receita líquida federal crescerá 5,8% acima da inflação, enquanto as despesas federais avançarão 4,5% acima da inflação. O déficit primário em 2026 é estimado em R$ 55,3 bilhões, com a dívida pública atingindo 82% do PIB.
Indústria e Agronegócio Mostram Resiliência, Mas Enfrentam Desafios
A projeção de crescimento para o PIB industrial foi revisada para cima, passando de 1,6% para 2,1%. A indústria extrativa, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo, é o destaque, com expectativa de crescimento de 9,1%. A indústria de transformação, embora com projeção revisada para 0,6%, continua pressionada pelas importações, juros altos e custos elevados. A construção civil deve ganhar impulso com medidas governamentais, com projeção de alta de 1,5%. O agronegócio, impulsionado por uma safra recorde, especialmente de soja, e pelo crescimento da produção animal, teve sua projeção elevada de 1,1% para 1,8%.
Serviços e Juros: Perspectivas de Crescimento Reduzidas
O setor de serviços, que tem sido sustentado pelo mercado de trabalho e pelas vendas do varejo, teve sua expectativa de crescimento reduzida de 2,1% para 1,9%. O aumento da inadimplência, o maior endividamento das famílias e os juros elevados impactaram negativamente essa projeção. Diante da inflação persistente e da piora do cenário fiscal, a CNI também reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros. A previsão agora é de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026, mantendo a taxa Selic em patamar restritivo.
Cenário Externo e Comércio: Riscos e Oportunidades
No ambiente internacional, a guerra no Oriente Médio continua sendo o principal fator de risco, elevando custos de combustíveis e fertilizantes, embora a CNI avalie que essa pressão possa diminuir. O avanço das importações de bens de consumo também é um ponto de atenção, ocorrendo em paralelo à desaceleração da indústria nacional. No comércio exterior, o Brasil registrou um superávit na balança comercial de US$ 77,9 bilhões no primeiro semestre, com exportações crescendo 9,5% e importações totais 5,2%. Um risco a ser monitorado são as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que podem afetar o desempenho das exportações.
