Finep destina R$ 15,2 milhões para impulsionar a cadeia produtiva da malva na Amazônia, visando tecnologia e maior valor agregado.
A Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), com 40 anos de experiência no Pará, lidera um projeto promissor que recebeu um significativo aporte da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O objetivo é revolucionar a estruturação da cadeia produtiva da malva, uma fibra vegetal nativa da região amazônica, que até então enfrenta desafios de tecnificação e produtividade.
A iniciativa busca introduzir novas tecnologias em todas as etapas do processo, desde o cultivo até o beneficiamento da fibra. Com isso, espera-se melhorar as condições de trabalho das famílias ribeirinhas, que tradicionalmente extraem a fibra, aumentar a produtividade e, consequentemente, agregar valor aos produtos têxteis derivados da malva, abrindo portas para mercados mais exigentes e lucrativos.
A importância da malva ganhou destaque recentemente quando um vestido confeccionado pela CTC, utilizando uma mistura de juta e malva, foi usado pela atriz brasileira Alice Carvalho no Oscar. Este evento sublinha o potencial da fibra para além de seus usos tradicionais, como sacarias e cordas, e reforça a aposta da Finep em iniciativas inovadoras e tipicamente brasileiras. Conforme informação divulgada pela Finep, o investimento total no projeto é de R$ 25,7 milhões, com R$ 15,2 milhões sendo financiados pela agência como subvenção.
Desafios e Potencial da Fibra de Malva
O superintendente da área de Cadeias Agroindustriais e Defesa da Finep, Rodrigo Secioso, ressaltou que a cadeia produtiva da malva enfrenta desafios significativos, especialmente no que diz respeito à baixa tecnificação. Desde o plantio, realizado de forma peculiar em áreas de várzea onde as sementes são lançadas nos leitos dos rios, até a colheita e o posterior processamento artesanal das fibras, há uma carência de infraestrutura adequada.
A falta de estrutura para colheita, transporte, secagem e armazenamento gera riscos e prejuízos para os produtores. Além disso, o uso restrito da fibra no mercado tradicional limita o número de compradores. O projeto visa justamente mitigar esses problemas, oferecendo soluções tecnológicas e de gestão para toda a cadeia.
Avanços Tecnológicos e Financeiros Previstos
O projeto aprovado pela Finep engloba uma série de ações estratégicas. Estão previstos estudos para o aprimoramento das espécies de malva, o desenvolvimento de maquinário específico para colheita e beneficiamento, e a criação de infraestrutura digital para otimizar a gestão do cultivo. A avaliação de mecanismos financeiros para a produção em larga escala e a consolidação de negócios comunitários piloto também fazem parte do escopo.
O objetivo final é obter uma fibra de malva de maior nobreza, capaz de competir em mercados de alto valor agregado. A iniciativa conta com a participação de instituições como a Universidade Federal da Amazônia, a Embrapa e o Centro de Bionegócios da Amazônia, além de quatro empresas do setor.
Apoio Governamental à Inovação
O diretor de Inovação da Finep, Elias Ramos, destacou a importância do apoio do governo federal em assumir o risco da inovação em parceria com empresas e institutos de pesquisa. Essa colaboração é fundamental para viabilizar iniciativas brasileiras com potencial de gerar benefícios diretos e indiretos para as comunidades envolvidas, como é o caso da cadeia produtiva da malva na Amazônia.
O financiamento, viabilizado pelo edital Finep Amazônia – Subvenção Econômica à Inovação em Fluxo Contínuo – Bioeconomia e Desenvolvimento Regional, demonstra o compromisso com o desenvolvimento sustentável da região e a valorização de recursos naturais brasileiros, transformando a malva em um símbolo de inovação e prosperidade amazônica.
