Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026 às 08:21
ADVERTISEMENT

Facebook Falha em Filtrar Desinformação Eleitoral, Alerta Anistia Internacional em Teste com Anúncios Falsos

Facebook Falha em Filtrar Desinformação Eleitoral, Alerta Anistia Internacional em Teste com Anúncios Falsos

Um teste realizado pela Anistia Internacional Brasil revelou falhas significativas na capacidade do Facebook, propriedade da Meta, em filtrar anúncios com desinformação eleitoral. A organização divulgou a análise nesta terça-feira (25), a exatos 40 dias do primeiro turno das eleições gerais, evidenciando preocupações sobre a integridade do processo eleitoral na plataforma.

De 15 anúncios pagos submetidos à plataforma, todos redigidos em português e direcionados à população brasileira em idade de votar, 14 continham desinformação eleitoral. Surpreendentemente, mais da metade dessas publicações com conteúdo antidemocrático foram aceitas pelo sistema de moderação do Facebook, não chegando a ser publicadas, mas demonstrando a fragilidade dos mecanismos de controle.

A Anistia Internacional define desinformação como o uso deliberado de informação falsa. Os anúncios analisados exploraram três estratégias perigosas: a deslegitimação eleitoral, buscando minar a confiança nas eleições e seus resultados; a construção do inimigo, apresentando adversários políticos e tribunais como ameaças; e o autoritarismo com foco na segurança, promovendo o uso da força militar como solução.

Anúncios Alarmantes Passam pela Moderação do Facebook

Um dos exemplos mais chocantes apresentados pela ONG é um anúncio que clamava por uma “revolução militar” e incentivava a abstenção eleitoral, com a falsa alegação de que os militares retomariam o poder caso menos de 50% da população votasse. Essa informação já foi diversas vezes desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reitera a validade do processo eleitoral brasileiro.

Sete dos anúncios elaborados pela Anistia Internacional focavam em alegações enganosas sobre candidatos e instituições eleitorais, incluindo acusações de fraude na votação e questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral. Outros sete anúncios continham informações falsas que poderiam dificultar a participação do eleitor, como dados incorretos sobre datas, locais ou procedimentos de votação.

A ONG ressalta que todos os anúncios foram programados para serem veiculados em datas futuras, permitindo que fossem cancelados antes da publicação. No entanto, **oito anúncios foram aprovados para publicação**, e os sete rejeitados não o foram por conterem desinformação, mas sim por serem sobre questões sociais, eleições ou política, exigindo verificação de identidade da conta, o que a Anistia Internacional considera uma falha no processo de detecção de conteúdo.

Meta Contesta, Mas Alertas Persistem

Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, declarou que o fato de o sistema de moderação da Meta não ter detectado mais da metade dos anúncios de desinformação é “profundamente alarmante”. Ela enfatiza que a empresa não está fazendo o suficiente para impedir que sua plataforma seja um vetor de desinformação, enquanto continua lucrando com publicidade, que representa mais de 97% de sua receita.

A Anistia Internacional também levantou preocupações sobre a possibilidade de anúncios serem enviados de fora do Brasil, como foi o caso de envios feitos de Londres. Isso, segundo a ONG, aumenta o risco de campanhas de desinformação promovidas por atores nacionais ou estrangeiros interferirem nos processos eleitorais, o que é um **risco sério para a democracia**.

Em resposta, a Meta afirmou que o relatório da Anistia Internacional se baseou em uma “amostra muito pequena de anúncios que nunca foram publicados nem vistos por nenhum usuário”. A empresa declarou que investe recursos significativos para proteger o processo eleitoral e que possui diversas camadas de análise e detecção de anúncios.

Regulamentação Eleitoral e Dever das Plataformas

No Brasil, a propaganda eleitoral é regulada pelo TSE, que determina em suas resoluções que provedores de internet devem adotar medidas para impedir ou diminuir a circulação de fatos inverídicos que possam atingir a integridade do processo eleitoral. Informações falsas que descredibilizem o sistema eletrônico de votação devem ser tornadas indisponíveis pelas plataformas, mesmo sem determinação judicial.

A investigação da Anistia Internacional, portanto, levanta sérias questões sobre a **eficácia dos sistemas de moderação do Facebook** e se as salvaguardas eleitorais estão sendo aplicadas de forma consistente, especialmente em um período tão sensível quanto as eleições gerais.

Menu