Embaixador de Cuba no Brasil classifica sanções dos EUA sobre petróleo como “política genocida”
O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, fez um alerta contundente sobre o impacto das medidas impostas pelos Estados Unidos contra o fornecimento de petróleo à ilha caribenha. Em entrevista, ele classificou o bloqueio econômico e energético como uma “política genocida”, destinada a privar a população cubana de seus meios de subsistência e condená-la ao “extermínio”.
A nova Ordem Executiva, editada pelo presidente americano Donald Trump em 29 de janeiro, classifica Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA. A justificativa apresentada pelo governo americano é o alinhamento de Havana com países como Rússia, China e Irã. Esta decisão impõe tarifas comerciais a qualquer nação que forneça ou venda petróleo para Cuba.
As consequências dessas sanções têm sido devastadoras para a economia cubana, que já enfrenta um embargo há 67 anos. A falta de energia compromete setores vitais como saúde, produção de alimentos e transporte. Conforme dados da Agência Internacional de Energia (AIE), até 2023, cerca de 80% da energia consumida em Cuba dependia de derivados de petróleo.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também denunciou a ação de Trump como mais uma tentativa de minar a Revolução Cubana. A nova medida agrava a já tensa situação energética da ilha, forçando o governo a adotar medidas de austeridade extrema e a buscar alternativas como a energia solar.
O impacto devastador do bloqueio energético
Segundo o embaixador Curbelo, a política americana visa subjugar Cuba, privando-a de um recurso essencial para sua sobrevivência. “Sem energia, tudo fica comprometido. O que eles fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio”, declarou o diplomata. Ele ressaltou que a medida não só viola a soberania de Cuba, mas também a de outras nações que buscam manter relações comerciais com a ilha.
O bloqueio, que já dura mais de seis décadas, foi reforçado com 243 medidas adicionais durante o primeiro mandato de Trump, medidas que permaneceram em vigor durante a administração de Biden. Curbelo mencionou que, por anos, houve tentativas de impedir o transporte de petróleo para Cuba, inclusive com abordagens a navios e sanções a companhias de seguro.
Estratégias de resistência e busca por alternativas
Diante do cenário desafiador, Cuba tem implementado medidas de austeridade e priorizado a proteção da população. Hospitais, escolas e residências com crianças com necessidades especiais recebem prioridade no fornecimento de energia. Paralelamente, o país tem investido na expansão da energia solar fotovoltaica.
No último ano, a instalação de painéis solares permitiu gerar 1.000 megawatts, elevando a participação da energia solar na geração diurna para quase 40%. O investimento aumentou a contribuição da energia solar fotovoltaica para 10% da geração total de eletricidade nacional. Essa energia tem sido direcionada para proteger sistemas bancários, hospitais, escolas e centros de produção de alimentos.
Apesar dos esforços, o déficit na geração de eletricidade persiste devido à escassez de combustível e à infraestrutura de usinas termelétricas, em grande parte obsoleta e de difícil modernização devido aos custos elevados. A falta de combustível também afeta o setor turístico, uma das principais fontes de divisas para Cuba, com companhias aéreas suspendendo voos por falta de querosene para o retorno.
Rejeição internacional e apelo por solidariedade
O embaixador Curbelo destacou a rejeição generalizada da política americana por parte da comunidade internacional. Ele citou o Movimento dos Não Alinhados, que representa a maioria dos países do mundo, como um dos grupos a repudiar as sanções. Declarações fortes de rejeição e solidariedade também vieram de países como Rússia e China, que anunciaram ajuda a Cuba, incluindo uma doação de 70 mil toneladas de arroz pela China e mais de 900 toneladas de ajuda humanitária enviadas pelo México.
Curbelo enfatizou a importância da solidariedade prática, indo além da denúncia e do diálogo político. “Fazer é a melhor maneira de falar”, citou, inspirando-se em José Martí, apóstolo da independência cubana. Ele vê a luta de Cuba como uma defesa da América Latina contra a imposição da lei do mais forte, apelando para a resistência e a vitória. A decisão de Cuba de defender sua soberania e independência é inabalável, declarou o embaixador, reafirmando a disposição de manter relações respeitosas com os EUA, mas sem aceitar interferências ou subordinação de seus interesses nacionais.
