Sábado, 15 de Agosto de 2026 às 15:18
ADVERTISEMENT

Eleitorado Jovem em Queda Livre: Brasil Vê Redução de 22% de Jovens nas Urnas em 16 Anos, Idosos Ganham Espaço

Envelhecimento Populacional Reduz Presença Jovem no Eleitorado Brasileiro

O Brasil observa uma transformação significativa em seu corpo de eleitores, impulsionada pelo envelhecimento da população. Um levantamento recente revela que o número de votantes com idade entre 16 e 24 anos sofreu uma **queda de 22%** no período de 2010 a 2026. Essa diminuição não é apenas proporcional, mas também absoluta, com uma perda de cerca de 5,5 milhões de jovens aptos a votar.

A pesquisa, realizada pelo Instituto Nexus a pedido da Agência Brasil com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra um cenário preocupante para a representatividade jovem. Enquanto o eleitorado total cresceu 17% no mesmo período, a participação dos mais novos despencou de 18,2% para apenas 12,5% do total de votantes. Esse movimento demográfico é crucial, especialmente em eleições acirradas.

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, destaca a importância estratégica de cada eleitor em um cenário de polarização. A perda de força do voto jovem, comparada ao aumento expressivo de eleitores com 60 anos ou mais, que cresceram 74% desde 2010, representa um **desafio para as campanhas políticas** e para a dinâmica democrática do país.

O Crescimento do Voto da Terceira Idade

Os dados do TSE são claros: o número de eleitores com mais de 60 anos com título ativo saltou para mais de 36,8 milhões de pessoas. Esse crescimento expressivo contrasta diretamente com a diminuição do eleitorado jovem, alterando a **geografia eleitoral** e o centro de gravidade das estratégias políticas. Em 2010, os jovens representavam 18,2% do eleitorado; em 2026, essa fatia cai para 12,5%.

Campanhas e o Desafio de Engajar Jovens

Especialistas apontam que as campanhas presidenciais ainda buscam formas eficazes de dialogar com o eleitorado jovem. Embora em 2022 tenha havido um esforço para atrair esse público, principalmente pelo seu potencial de engajamento, o volume de votos ainda é um fator determinante. Propostas relacionadas a games, tecnologia e isenções fiscais foram algumas das abordagens utilizadas.

Hilton Fernandes, professor da FESPSP, sugere que, à medida que as eleições se aproximam, as principais candidaturas tendem a intensificar a busca por esse público. Em campanhas proporcionais, como as de deputados, o voto jovem pode se tornar um **nicho valioso**. As prioridades desse eleitorado continuam focadas em primeiro emprego e formação profissional, mas sua visão pode ser influenciada por discursos de grandes mudanças e um forte **personalismo do candidato**.

Prioridades e Influências do Voto Jovem

A busca pelo primeiro emprego e a qualificação profissional são temas centrais para o eleitor jovem. No entanto, fatores como a situação econômica familiar, a região de residência e a influência de grupos sociais moldam suas decisões. Discursos mais radicais e que prometem transformações profundas tendem a ressoar mais com esse grupo, mas o professor alerta para o risco de o discurso **enganar o eleitorado mais novo**, pois nem sempre a ruptura é o caminho para a mudança social.

É fundamental reconhecer que o eleitor jovem não é um bloco homogêneo. Jovens em ambientes mais conservadores podem ter visões distintas daqueles cujas famílias enfrentam dificuldades financeiras, buscando uma mudança mais acentuada. A influência de discursos que remetem a grandes mudanças, embora atrativa, deve ser analisada com cautela, pois a **transformação social** pode ocorrer de diversas formas.

Engajamento e Geografia Eleitoral

Apesar da queda na participação geral, o engajamento dos jovens nas urnas é notável. Entre os maiores de 18 anos, o comparecimento no primeiro turno foi de 78,5%. Curiosamente, entre os eleitores de 16 e 17 anos, que votam facultativamente, o percentual foi ainda maior: 82,9%. Esses números superam a média nacional de comparecimento de 79,1%.

A pesquisa também aponta uma concentração de eleitores mais velhos nas regiões Sul e Sudeste, abrigando os maiores colégios eleitorais. Estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo apresentam o menor percentual de jovens (até 24 anos) no eleitorado, representando apenas 9% a 11%. Em contrapartida, estados como Roraima, Acre, Amapá e Amazonas lideram em proporção de jovens aptos a votar, com 18% cada.

Menu