Dólar permanece perto de R$ 5,08 e fecha semana com leve recuo, influenciado por tarifas americanas e guerra no Oriente Médio
O mercado financeiro encerrou a semana de forma dividida, com o dólar praticamente estável frente ao real, enquanto a bolsa de valores e o preço do petróleo apresentaram quedas significativas. A cautela dos investidores foi impulsionada pela imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos e pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, segundo informações divulgadas pela Reuters.
Na sexta-feira (24), o dólar comercial fechou cotado a R$ 5,081, registrando uma pequena variação negativa de 0,58% na semana. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 1,52% no dia, mas acumulou uma alta de 0,19% no período. O petróleo tipo Brent, referência para a Petrobras, também sofreu uma desvalorização de 3,88% na sexta-feira, após ter atingido um pico de mais de US$ 100 o barril no dia anterior.
A moeda americana, apesar de ter operado com volatilidade ao longo do dia, aproximou-se da estabilidade no fechamento, refletindo um cenário externo complexo. A entrada em vigor de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, pesou sobre o sentimento do mercado. Paralelamente, notícias sobre uma possível retomada das negociações entre Washington e Teerã, mediadas pelo Paquistão com apoio da China, trouxeram alguma esperança de arrefecimento das tensões globais.
Real se destaca em meio a moedas emergentes, impulsionado por exportações de petróleo e juros altos
O real brasileiro demonstrou resiliência ao apresentar um desempenho superior ao de outras moedas emergentes durante a semana. Esse fortalecimento foi atribuído a dois fatores principais: o Brasil ser um exportador líquido de petróleo, beneficiando-se das flutuações nos preços internacionais, e a significativa diferença entre as taxas de juros domésticas e as praticadas nos Estados Unidos, que continua atraindo capital estrangeiro para o país.
Ibovespa sofre com queda do petróleo e fluxo estrangeiro reduzido
A bolsa brasileira, representada pelo Ibovespa, sentiu o impacto da queda nos preços do petróleo. Investidores optaram por realizar lucros, vendendo ações de petroleiras após recentes altas. As ações de mineradoras também foram pressionadas pela desvalorização do minério de ferro. Além disso, a redução no fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes afetou negativamente os papéis de grandes bancos e outros setores.
Petróleo recua com expectativas de negociações EUA-Irã, mas riscos na oferta persistem
Após uma escalada expressiva que o levou a ultrapassar os US$ 100 por barril pela primeira vez em meses, o petróleo Brent registrou uma queda de 3,88%, fechando a US$ 96,78. O petróleo WTI também recuou, perdendo 3,12% e sendo negociado a US$ 89,31. Essa correção foi motivada pela articulação diplomática em curso para reabrir negociações entre Estados Unidos e Irã, o que diminuiu as expectativas de um agravamento das tensões no Oriente Médio. No entanto, o mercado permanece em alerta quanto aos riscos contínuos para a oferta global de petróleo, incluindo confrontos entre EUA e Irã, o tráfego reduzido no Estreito de Ormuz e os ataques no Mar Vermelho, que ameaçam rotas de transporte de energia vitais.
