Dólar sobe forte com discurso do Fed; Ibovespa fecha em alta
O dólar comercial voltou a se aproximar da marca de R$ 5,20 nesta sexta-feira, impulsionado pelo discurso considerado mais duro do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, sobre a inflação nos Estados Unidos. A moeda americana fechou o dia negociada a R$ 5,196, com alta de 0,62%.
A valorização do dólar ocorreu após Powell indicar que o Fed ainda tem trabalho a fazer para controlar a inflação, aumentando as apostas de que o banco central americano poderá elevar as taxas de juros em setembro. Essa sinalização impactou os mercados globais, mas a bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, conseguiu manter a tendência de alta, registrando sua oitava sessão consecutiva de ganhos.
Apesar da pressão externa, o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,30%, aos 175.664,62 pontos. Na semana, o índice acumulou uma valorização de 2,71%, demonstrando resiliência em meio à volatilidade internacional. Essas informações foram divulgadas pelo portal de notícias financeiras.
Discurso de Powell eleva juros nos EUA e pressiona o dólar
A fala de Jerome Powell no simpósio de Jackson Hole foi o principal gatilho para a movimentação do mercado de câmbio. Ele destacou que o Federal Reserve continuará atuando caso não haja confiança de que a inflação subjacente esteja retornando de forma clara e sustentável à meta de 2%. Essa postura mais firme aumentou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano.
O título de dois anos do Tesouro dos EUA, sensível às expectativas de política monetária, chegou a subir mais de 0,1 ponto percentual, atingindo 4,35%. O índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, também avançou, subindo 0,57% no fim da tarde.
Mercado de trabalho brasileiro e expectativas para a Selic
No cenário doméstico, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho trouxeram um alívio, com a criação de 58.568 vagas formais, um número abaixo das expectativas do mercado financeiro. Essa desaceleração no mercado de trabalho reforça a percepção de que o Banco Central do Brasil poderá iniciar um ciclo de corte na Taxa Selic em setembro.
A expectativa predominante é de uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, levando-a para 13,75% ao ano, com possibilidade de novos cortes em novembro. Atualmente, a Selic está em 14% ao ano, enquanto a taxa básica de juros nos Estados Unidos varia entre 3,50% e 3,75%. A diferença entre as taxas de juros é um fator importante para o fluxo de investimentos internacionais e para a cotação do dólar.
Ibovespa resiste e acumula ganhos semanais apesar das tensões globais
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, demonstrou força ao registrar a oitava alta consecutiva. Mesmo com a pressão vinda do exterior após o discurso de Powell, o índice conseguiu superar os 176 mil pontos em alguns momentos do pregão, fechando em 175.664,62 pontos. A valorização semanal de 2,71% contrasta com uma queda acumulada de 1,31% em agosto, mas o desempenho anual ainda é positivo, com alta de 9,02% em 2026.
Os dados da B3 indicam entrada líquida de recursos estrangeiros na bolsa paulista nos últimos pregões, totalizando R$ 1,3 bilhão. No entanto, o fluxo estrangeiro acumulado em agosto ainda se encontra negativo em R$ 18,7 bilhões, refletindo a cautela dos investidores internacionais diante do cenário de juros mais altos nos EUA.
Bolsas americanas em baixa com perspectiva de juros mais altos
Em Nova York, as bolsas de valores fecharam em baixa nesta sexta-feira, pressionadas pela perspectiva de uma política monetária mais restritiva por parte do Federal Reserve. O Nasdaq, índice de empresas de tecnologia, foi o mais afetado, com queda de 0,52%. O Dow Jones recuou 0,02%, e o S&P 500 teve queda de 0,25%.
A reação dos mercados americanos reflete a preocupação com a manutenção de uma postura mais rígida do Fed em relação à inflação. O aumento nos rendimentos dos títulos públicos americanos diminuiu o apetite por ativos de maior risco, contribuindo para o desempenho negativo das bolsas nos Estados Unidos.
