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Dinheiro Fácil e Pix: A Dupla Perigosa Que Impulsiona Golpes Online no Brasil Segundo Relatório

Relatório aponta para estratégias previsíveis e o uso de informações reais distorcidas como táticas recorrentes de fraudes digitais.

A combinação de promessas de dinheiro fácil com pagamentos instantâneos via Pix se tornou a fórmula preferida de golpistas que atuam na internet brasileira. Essas táticas, aliadas à exploração da confiança em marcas e personalidades conhecidas, têm levado a um aumento significativo de vítimas.

Um estudo recente revela que criminosos não precisam inovar constantemente, mas sim adaptar narrativas existentes a contextos atuais, tornando as fraudes cada vez mais reconhecíveis e, paradoxalmente, mais eficazes pela sua aparência de legitimidade.

O relatório destaca ainda que a distorção de fatos reais e o uso de informações verdadeiras como base para enganar usuários são estratégias cada vez mais comuns, dificultando a identificação das fraudes. Conforme divulgado pelo Observatório Lupa, a segunda edição do relatório A Jornada dos Golpes analisou 115 conteúdos fraudulentos virais entre maio de 2024 e abril de 2026.

Golpes se tornam previsíveis e exploram vulnerabilidades

A pesquisa identificou que muitas fraudes online seguem padrões repetitivos, o que as torna previsíveis. As estratégias incluem falsas promoções, indenizações inexistentes, vagas de emprego fraudulentas, benefícios sociais fictícios e brindes gratuitos. Essas táticas são frequentemente adaptadas a datas sazonais e temas em alta no noticiário.

Beatriz Farrugia, pesquisadora responsável pelo estudo, explica que os criminosos reutilizam estruturas que já funcionaram, adaptando a narrativa ao momento e explorando a confiança depositada em marcas, instituições e figuras públicas. Essa previsibilidade, segundo ela, abre espaço para ações preventivas mais eficazes.

Distorção de fatos reais aumenta a taxa de sucesso das fraudes

Para maximizar o sucesso, os golpistas exploram contextos de vulnerabilidade econômica e a ânsia por dinheiro fácil ou descontos significativos. Uma tática principal é a distorção de fatos reais. Em 66% dos golpes analisados, os criminosos partiram de informações verdadeiras para construir narrativas enganosas.

Isso envolve a manipulação de reportagens, comunicados oficiais, campanhas legítimas, decisões judiciais e páginas institucionais. O objetivo é criar conteúdos que pareçam autênticos à primeira vista. No período anterior, esse índice era de 55%, indicando um aumento na sofisticação dessas fraudes.

Marcas conhecidas e Pix são ferramentas chave dos golpistas

Mais de 15 empresas de varejo, bancos, marketplaces e plataformas digitais tiveram suas marcas utilizadas indevidamente. Mercado Livre e Nubank foram as mais exploradas, com quatro ocorrências cada, seguidas por Shopee, Serasa e Rede Globo. Personalidades públicas, jornalistas e influenciadores também foram frequentemente usados para dar veracidade às mensagens fraudulentas.

O Pix é o meio de pagamento preferencial, exigido em cerca de um terço dos golpes analisados, muitas vezes apresentado como forma única de cobrir taxas para liberar benefícios, promoções ou indenizações inexistentes. Cerca de 71% dos golpes prometiam alguma vantagem financeira.

Redes sociais e WhatsApp são os principais vetores de golpes

A maior parte das fraudes se inicia em redes sociais abertas, como Facebook, Instagram e TikTok, migrando posteriormente para ambientes mais privados. O WhatsApp se consolidou como o principal canal de circulação, aparecendo em quase 65% dos golpes analisados entre maio de 2025 e abril de 2026.

O relatório também aponta para a responsabilidade das plataformas digitais na monetização e circulação de conteúdos fraudulentos, com estimativas de arrecadação bilionária com anúncios relacionados a golpes. A pesquisadora Beatriz Farrugia ressalta a importância de uma atuação coordenada entre empresas de tecnologia, instituições financeiras, órgãos públicos, imprensa e usuários para combater essas ameaças.

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