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Copa do Mundo 2026: Fenaj denuncia constrangimento e racismo contra jornalistas brasileiros nos EUA

Fenaj alerta para práticas discriminatórias e xenófobas contra jornalistas na cobertura da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) manifestou profunda preocupação com relatos de profissionais de imprensa que cobrem a Copa do Mundo de 2026. Jornalistas brasileiros afirmam ter enfrentado episódios de constrangimento, restrições de circulação e dificuldades para exercer suas funções nos Estados Unidos, um dos países-sede do torneio, ao lado de México e Canadá.

Em nota oficial, a entidade destacou um dos casos mais graves envolvendo a jornalista Karine Alves, da TV Globo. Segundo seu relato, ela foi retirada da fila regular de imigração ao chegar aos EUA e submetida a uma revista de cabelo, procedimento que, segundo a profissional, teria sido direcionado apenas a pessoas negras.

Para a Fenaj, a situação configura tratamento racista e xenófobo. Este incidente se soma a outros relatos de profissionais e torcedores que acompanham a competição, evidenciando um cenário preocupante para a atuação da imprensa internacional. Conforme informação divulgada pela Fenaj, a entidade defenderá junto à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) o envio de um documento à FIFA, exigindo condições de trabalho dignas e seguras para todos os credenciados.

Jornalista da TV Globo relata abordagem discriminatória na imigração dos EUA

O caso da jornalista Karine Alves, da TV Globo, é um dos pontos centrais da denúncia da Fenaj. Ela descreveu ter sido separada da fila comum de imigração ao desembarcar nos Estados Unidos. A profissional relatou ter sido tratada de forma ríspida por agentes federais e submetida a uma revista pessoal, incluindo a checagem de seu cabelo. Karine Alves suspeita que a abordagem discriminatória tenha sido direcionada especificamente a pessoas negras que chegavam ao país.

A Fenaj considera o episódio um exemplo claro de racismo e xenofobia. Essa prática, segundo a entidade, contraria os princípios de respeito e igualdade. A federação reforça que tais ações criam um ambiente hostil para profissionais que estão no país para cobrir um evento de grande relevância mundial.

Outros casos de restrição e impedimento de entrada são citados

Além da situação vivenciada por Karine Alves, a Fenaj mencionou outros episódios que reforçam as dificuldades enfrentadas. Um deles é o caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que teria sido impedido de entrar nos Estados Unidos, mesmo estando credenciado para participar da Copa do Mundo. Essa medida levanta questionamentos sobre os critérios de entrada e o tratamento dado a profissionais de diferentes nacionalidades.

Os relatos não se limitam às barreiras de imigração. Jornalistas também têm apontado obstáculos na cobertura esportiva em si. Há relatos de restrições de acesso a locais de treinamento das seleções, o que dificulta o trabalho de reportagem e a obtenção de informações em primeira mão para o público.

Fenaj busca ações internacionais para garantir liberdade de imprensa

Diante do cenário alarmante, a Fenaj anunciou que atuará junto à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ). O objetivo é formalizar um pedido à Federação Internacional de Futebol (Fifa) para que a entidade assegure condições adequadas de trabalho aos profissionais credenciados. A demanda inclui a garantia de segurança e a ausência de discriminação para jornalistas de todas as nacionalidades.

Entre as propostas que serão apresentadas, destacam-se a criação de mecanismos independentes para apurar denúncias de assédio e violência, além de protocolos específicos de proteção para mulheres jornalistas. A entidade também buscará o compromisso dos países anfitriões com a liberdade de imprensa, a liberdade de circulação e a independência profissional dos trabalhadores da comunicação durante o evento.

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