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Combinar Musculação e Cardio: Estudo da USP Desmistifica Crença Fitness e Revela Impacto Real no Ganho de Músculo e Força

Estudo da USP: Treino Combinado de Força e Cardio Não Prejudica Ganho de Massa Muscular, Mas Afeta Força

Uma crença popular no universo fitness sugeria que combinar musculação com exercícios aeróbicos poderia comprometer o ganho de massa muscular. No entanto, um estudo recente conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) vem para desmistificar essa ideia.

A pesquisa, publicada no Journal of Applied Physiology, acompanhou participantes por 16 semanas e demonstrou que a combinação de ambos os tipos de treino não impede a hipertrofia. Contudo, o estudo aponta para uma sutil diferença no ganho de força quando comparado a treinos de musculação isolados.

Carlos Ugrinowitsch, professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP e coautor do estudo, explica que a ideia anterior era que o esforço do cardio interferiria na síntese proteica necessária para o crescimento muscular. “Mas não é isso que acontece. O estudo mostrou que o aumento muscular foi equivalente nos dois grupos de participantes”, afirma.

O Antigo “Efeito de Interferência” Desmistificado

Anteriormente, acreditava-se que o treino aeróbico competia com a musculação. A teoria era que o cardio estimulava a produção de proteínas para aumentar as mitocôndrias (biogênese mitocondrial), desviando recursos da síntese proteica muscular, um fenômeno conhecido como “efeito de interferência”.

Essa hipótese se baseava na prioridade metabólica do sistema aeróbico, considerado vital para a geração de energia e sobrevivência. Assim, a combinação de força e cardio em uma mesma rotina era vista como menos eficaz para a hipertrofia do que praticar cada modalidade separadamente.

Por Que Investigar o Treino Concorrente?

A motivação para investigar o treino concorrente, ou combinado, é clara. “Porque a combinação de treino aeróbico e treino de força é a base para uma boa saúde”, destaca Ugrinowitsch. O exercício aeróbico, ou cardio, é fundamental para aumentar a frequência cardíaca, a oxigenação do sangue, contribuir para a queima de calorias e fortalecer o coração.

A pesquisa buscou entender como esses dois tipos de estímulos se complementam ou competem no corpo humano, especialmente em termos de adaptações musculares e neurais.

Metodologia da Pesquisa da USP

No experimento, voluntários sedentários, com média de 28 anos, foram divididos em dois grupos. Um grupo realizou apenas treinos de musculação duas vezes por semana, focando em exercícios como leg press e extensão de pernas, com duas a três séries de 12 repetições, durante quatro meses.

O segundo grupo seguiu o mesmo protocolo de musculação, mas adicionou quatro treinos de HIIT (High-Intensity Interval Training) por semana. O HIIT consistia em tiros de corrida em esteira intercalados com curtos períodos de descanso.

As respostas moleculares foram monitoradas através de biópsias musculares e acompanhamento da síntese de novas proteínas musculares ao longo das 16 semanas de estudo.

Resultados: Massa Muscular Preservada, Força Levemente Afetada

Os resultados foram claros: o ganho de massa muscular foi equivalente em ambos os grupos. Ou seja, combinar cardio com musculação não impediu o crescimento dos músculos. Essa descoberta contraria a antiga crença do “efeito de interferência”.

Contudo, foi observada uma diferença significativa: o ganho de força foi levemente menor no grupo que combinou musculação e cardio. “E talvez daí venha a crença de que o treino combinado prejudicaria a formação de músculo”, avalia Ugrinowitsch.

Segundo o pesquisador, essa diferença no ganho de força não está ligada à síntese proteica, mas sim a um fenômeno neuromuscular. “Existem dois fatores associados para a produção de força: o ganho de músculo e a ativação cerebral. É como se o treino aeróbico criasse uma fadiga na comunicação entre o cérebro e o músculo”, explica.

Na prática, o sistema nervoso pode ter uma capacidade de recrutamento de fibras musculares ligeiramente reduzida no esforço máximo após o treino aeróbico, impactando o pico de força. Isso não significa que o treino combinado seja ruim, mas sim que os objetivos de ganho de força máxima podem ser otimizados com uma periodização cuidadosa.

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