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Colômbia em Xeque: Petro questiona pré-contagem eleitoral e opõe-se a resultados preliminares, acusações de fraude agitam país

Petro não reconhece pré-contagem eleitoral e acusa empresa privada de fraude

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou publicamente que não reconhece os resultados preliminares das eleições presidenciais, divulgados por empresas privadas. A chamada pré-contagem indicou uma vantagem para o candidato da oposição, o que motivou a forte reação do atual mandatário.

Através das redes sociais, Petro argumentou que os resultados apresentados pela empresa privada dos irmãos Bautista não são confiáveis. Ele alegou que os algoritmos do software de contagem foram alterados três vezes na última semana, adicionando cerca de 800 mil votos de pessoas não incluídas no censo oficial.

O presidente enfatizou que, de acordo com a lei colombiana, apenas os resultados das comissões eleitorais, supervisionadas por juízes, são vinculativos e serão aceitos por seu governo. Petro mencionou a existência de dois censos no país, o oficial e o da empresa contratada, que segundo ele, inflou artificialmente o número de eleitores.

Discrepâncias e a validade da pré-contagem

Segundo a pré-contagem divulgada pelo Registro Nacional de Estado Civil, o candidato de extrema-direita Abelardo de La Espriella obteve 43,7% dos votos, enquanto o governista de esquerda Ivan Cepeda ficou com 40,9%. É importante notar que, na Colômbia, a pré-contagem realizada por empresas privadas possui caráter meramente informativo e não tem validade legal, conforme o próprio órgão divulgador dos dados.

A empresa responsável pela contagem preliminar citada por Petro é a Thomas Greg & Sons, de propriedade dos irmãos Felipe, Camilo e Fernando Bautista. A empresa espanhola Indra também participa desse processo. Especialistas apontam que esse tipo de contagem preliminar já ocorreu em eleições anteriores e tem sido alvo de críticas, inclusive pelo próprio presidente Petro.

Matheus Petrelli, especialista em política colombiana e pesquisador do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), explicou que a contagem preliminar está prevista na legislação, mas não possui validade jurídica. O resultado oficial é apurado por comissões escrutinadoras e geralmente divulgado entre duas semanas e um mês após a votação.

Reações e apelos por acompanhamento internacional

Abelardo de La Espriella, candidato que liderou a pré-contagem, criticou veementemente a postura do governo Petro, alertando para um risco à democracia. Ele solicitou que os Estados Unidos acompanhem de perto o segundo turno das eleições na Colômbia.

Por outro lado, Ivan Cepeda, candidato do Pacto Histórico, declarou que há uma discrepância de cerca de 885 mil fichas de inscrição eleitoral que necessita de verificação. Ele afirmou que a campanha está analisando os dados e relatos de padrões de votação atípicos em algumas seções eleitorais antes de comentar o resultado.

Geopolítica e o futuro da Colômbia

O resultado das eleições na Colômbia, país estratégico na América do Sul com saída para o Pacífico e o Caribe, pode influenciar seu alinhamento geopolítico. Uma vitória de um candidato mais próximo aos EUA poderia marcar uma reaproximação, enquanto a continuidade do Pacto Histórico, bloco do atual presidente Gustavo Petro, indicaria a manutenção de laços com pautas ambientais e sociais, similar à política regional de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil.

Até a eleição de Petro em 2022, a Colômbia era considerada uma forte aliada dos Estados Unidos na região. A disputa eleitoral atual representa um momento crucial para definir os rumos da política externa e interna do país sul-americano.

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