Sábado, 12 de Setembro de 2026 às 23:12
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BRICS com Irã e Emirados Árabes pede calma no Oriente Médio, critica tarifas e defende Brasil na ONU

BRICS clama por paz no Oriente Médio e mais voz para países em desenvolvimento na ONU

A reunião de Cúpula do BRICS, realizada em Nova Delhi, na Índia, neste fim de semana, emitiu um forte sinal de preocupação com o aumento das tensões no Oriente Médio. O bloco, que agora conta com a participação de Irã e Emirados Árabes Unidos, além de outros novos membros, também se posicionou contra tarifas comerciais impostas unilateralmente e defendeu um papel mais proeminente para o Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A declaração final do encontro, intitulada “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, reflete um esforço conjunto para abordar desafios globais. O documento, divulgado no sábado, 12, evidencia a busca por estabilidade e cooperação entre as 11 nações que compõem o BRICS, representando uma parcela significativa da economia, população e comércio mundial.

A posição do BRICS em relação à instabilidade no Oriente Médio foi um dos pontos de maior expectativa, especialmente considerando a inclusão recente de países como Irã e Emirados Árabes Unidos. A declaração busca um consenso diplomático, apelando à contenção e à abstenção de ações que possam agravar conflitos, conforme divulgado na declaração oficial do evento.

Apelo por Contenção e Diplomacia na Região

Em meio a um cenário de crescentes tensões no Oriente Médio, o BRICS manifestou sua profunda preocupação com a escalada da instabilidade na região. A declaração do encontro, que ocorreu em Nova Delhi, apelou para o exercício da máxima contenção e para a abstenção de ações que possam agravar ainda mais a situação. Embora o documento não cite diretamente os países envolvidos em conflitos recentes, a mensagem é clara: a busca pela paz e pela estabilidade regional é uma prioridade para o bloco.

O Parágrafo 28 da declaração enfatiza a importância de evitar medidas que possam intensificar as tensões. Essa abordagem diplomática, comum em documentos internacionais, visa facilitar o consenso entre os membros, mesmo diante de posições nacionais distintas. A presença de líderes como Narendra Modi (Índia), Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Masoud Pezeshkian (Irã) sublinha a relevância do BRICS no cenário geopolítico atual.

BRICS em Defesa do Comércio Livre e Contra Tarifas Unilaterais

Outro ponto crucial abordado na reunião foi a questão do comércio internacional. Os países-membros do BRICS expressaram sérias preocupações com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais. Essas ações, que distorcem o comércio global, são consideradas incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). O bloco defende um ambiente comercial mais justo e previsível, livre de barreiras arbitrárias.

A crítica às tarifas unilaterais, embora não nomeie diretamente os Estados Unidos, país que tem implementado tais medidas, reflete uma posição consolidada do BRICS. A busca por um comércio mais equilibrado é fundamental para o crescimento econômico dos países em desenvolvimento, que frequentemente se tornam alvos dessas políticas protecionistas. A crítica busca proteger os interesses de nações como Brasil, China e Índia.

Reforma da ONU e Maior Representatividade para Países em Desenvolvimento

O BRICS também reafirmou seu compromisso com a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O objetivo é tornar o órgão mais democrático, representativo, eficaz e eficiente, com ênfase na ampliação da participação de países em desenvolvimento. Atualmente, o Conselho é composto por 15 membros, sendo apenas cinco permanentes com poder de veto (EUA, China, Rússia, Reino Unido e França).

Nesse contexto, a declaração destaca o apoio da China e da Rússia às aspirações do Brasil e da Índia de desempenhar um papel maior na ONU, incluindo no Conselho de Segurança. Embora o texto não especifique a entrada como membro permanente, a sinalização de apoio é um passo importante para as ambições brasileiras de ter maior influência nas decisões globais de paz e segurança. O Brasil pleiteia assento permanente há décadas.

Foco em Moedas Locais e Combate à Desigualdade

A reunião também abordou a importância de desenvolver mecanismos eficientes para pagamentos transfronteiriços em moedas locais. No entanto, a declaração não mencionou a criação de uma moeda específica do BRICS nem a substituição do dólar. O foco está em soluções práticas que facilitem o comércio entre os membros, fortalecendo suas economias internas.

Adicionalmente, o BRICS reforçou a visão de que erradicar a pobreza é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável. O documento registra a proposta conjunta do Brasil e da África do Sul para a criação de um painel internacional dedicado ao estudo e combate à desigualdade, demonstrando o compromisso do bloco com agendas sociais e econômicas inclusivas.

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