Quinta-feira, 16 de Julho de 2026 às 10:39
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Brasil Repudia Tarifas dos EUA e Aciona Lei de Reciprocidade e OMC Contra Medidas “Lastimáveis”

Brasil reage com força a tarifas impostas pelos Estados Unidos, prometendo reciprocidade e busca por solução na OMC.

O governo brasileiro divulgou uma nota oficial repudiando enfaticamente a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos originários do Brasil. A medida, que entrará em vigor em 22 de julho, foi justificada por investigações do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República declarou que o Brasil não reconhece a legitimidade dessas investigações, argumentando que elas não possuem amparo nas regras multilaterais de comércio. O governo brasileiro considera que não há justificativas para as ações unilaterais dos EUA.

Segundo a nota oficial, o dia 15 de julho de 2026 ficará marcado como um “marco lastimável” nas relações bilaterais. O Brasil se compromete a acionar imediatamente a Lei de Reciprocidade e a buscar soluções no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Alegações americanas contestadas pelo Brasil

As investigações do USTR, iniciadas há um ano, apontaram supostas práticas brasileiras que oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos. Entre as alegações estão práticas de comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, interferência anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Em sua defesa, o governo brasileiro refutou as acusações sobre o Pix e a regulação de plataformas digitais, classificando-as como “descabidas”. A nota ressalta que o Pix é um patrimônio nacional e uma referência internacional em infraestrutura pública digital, e que o Brasil não abrirá mão de proteger seus cidadãos contra a “ganância de um punhado de tecno-oligarcas”.

As acusações sobre desmatamento também foram consideradas “absurdas”. O governo brasileiro destacou que, desde 2023, tem combatido incisivamente os ilícitos ambientais, resultando em uma redução drástica do desmatamento em todos os biomas do país, reafirmando que a liberdade de expressão não justifica a criminalidade.

Brasil demonstra apoio e dados contrários às tarifas

A nota governamental mencionou que, durante as audiências públicas do USTR, 63 das 78 intervenções de representantes do setor privado de ambos os países foram contrárias às novas tarifas. Isso indica uma oposição significativa por parte do setor produtivo.

Dados apresentados pelo governo brasileiro revelam um cenário comercial favorável aos EUA. Nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil. Em 2025, 76% das importações americanas entraram no Brasil sem impostos, com uma alíquota média efetiva de apenas 3,1% sobre produtos norte-americanos.

Medidas de proteção e diversificação comercial

Diante do cenário, o Brasil reafirmou seu compromisso em continuar adotando medidas para mitigar os danos à economia nacional e aos brasileiros. O objetivo é preservar empregos e a capacidade produtiva nacional.

Por meio do Plano Brasil Soberano, o governo manterá ações de proteção aos setores afetados pelas tarifas impostas pelos EUA. Paralelamente, o país seguirá buscando a diversificação de seus parceiros comerciais, visando a abertura de novos mercados para os produtos brasileiros e fortalecendo sua posição no comércio internacional.

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