Segunda-feira, 07 de Setembro de 2026 às 09:22
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Alerta Unicef: 15 milhões de crianças expostas a conteúdo sexual online, 20 milhões vítimas de abuso digital

Unicef alerta: 15 milhões de crianças expostas a conteúdo sexual indesejado online, 20 milhões vítimas de abuso digital

Um levantamento chocante divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta que aproximadamente 15 milhões de crianças e adolescentes em 21 países foram expostos a conteúdo sexual indesejado no último ano. Os dados, parte do relatório “Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil”, indicam uma realidade preocupante sobre a segurança online dos jovens.

O relatório estima que cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes já sofreram algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia. Acredita-se ainda que 9 milhões tenham sido induzidas a manter conversas de teor sexual ou compartilhar imagens desse cunho contra sua vontade, e que 4 milhões tiveram imagens delas vazadas.

Especialistas do Unicef ressaltam que os números podem ser ainda maiores, pois muitas vítimas não comunicam o ocorrido. Mais de 40% das ocorrências informadas não foram reveladas por medo ou por não saberem a quem recorrer, destacando a necessidade de redes de apoio e canais de denúncia eficazes.

Redes sociais e jogos online: ambientes de risco

As plataformas digitais mais utilizadas por crianças e adolescentes, como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp, concentram cerca de 60% das violações. O ambiente dos jogos online também se mostra um terreno fértil para abusos, sendo responsável por aproximadamente 14% dos crimes, devido à dinâmica de confiança explorada entre jogadores.

Agressores próximos: um dado que surpreende

Contrariando a crença popular, mais da metade (57%) dos casos declarados envolviam pessoas do convívio da criança ou adolescente, incluindo familiares, conhecidos e amigos. Ao mesmo tempo, 38% das vítimas encontraram seus agressores pela primeira vez na internet, evidenciando como contas falsas e mensagens privadas facilitam essas violações.

Coerção e chantagem: táticas dos agressores

O relatório, baseado em entrevistas com 21 mil jovens entre 12 e 17 anos, detalha as táticas de coerção utilizadas pelos agressores. Estes utilizam presentes, dinheiro e atenção para manipular as vítimas, mas também recorrem à chantagem. Uma jovem brasileira relatou ter sido ameaçada com o envio de mensagens à sua mãe caso não enviasse mais fotos, ilustrando a gravidade da situação.

Brasil: 3 milhões de crianças e adolescentes afetados

No Brasil, 19% dos entrevistados foram vítimas desse tipo de violência, o que equivale a quase 3 milhões de crianças e adolescentes. A internet foi o canal para 55,5% dos casos no país, com aplicativos de mensagens e redes sociais (66,5%), especialmente Instagram (57,2%) e WhatsApp (52,1%), sendo os mais perigosos. A escola respondeu por 24,5% das ocorrências, e jogos online por 12,3%.

Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef, enfatizou a gravidade do problema: “Essas experiências causam profundo desgaste emocional e mental. Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber ao certo onde procurar ajuda. Nós não podemos ignorar isso”.

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