Quinta-feira, 22 de Outubro de 2026 às 07:04
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Alerta ONU: El Niño pode ser o mais forte em 40 anos, intensificando onda de calor e eventos climáticos extremos

El Niño e aquecimento global: uma combinação perigosa para o planeta

A diretora da agência meteorológica das Nações Unidas lançou um alerta preocupante: o fenômeno El Niño pode se manifestar com uma força nunca antes vista nas últimas quatro décadas. Essa intensificação promete trazer consigo uma série de impactos climáticos severos em diversas partes do globo.

O El Niño é conhecido por alterar os padrões de chuva e temperatura em escala mundial. Desta vez, a expectativa é de que ele provoque ondas de calor intensas em algumas regiões, ao mesmo tempo em que pode gerar secas severas ou inundações devastadoras em outras. A incerteza sobre a magnitude exata desses eventos aumenta a apreensão global.

Paralelamente, um relatório recente da ONU reforça a urgência da crise climática. As projeções indicam que o aquecimento global pode ser mais severo do que se pensava, mesmo em cenários otimistas. A necessidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa de forma drástica e imediata é o ponto central das novas diretrizes climáticas apresentadas.

El Niño: calor extremo e chuvas irregulares em vista

Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial, destacou que o El Niño deve ser um dos mais fortes registrados nas últimas quatro décadas. Este fenômeno natural, quando combinado com as tendências de aquecimento global, pode amplificar seus efeitos, levando a eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos em todo o planeta.

A previsão é de que algumas áreas sofram com ondas de calor intensas, elevando o risco de incêndios florestais e problemas de saúde pública. Em contrapartida, outras regiões podem enfrentar secas severas, comprometendo a agricultura e o abastecimento de água. A instabilidade nos padrões de chuva é uma característica marcante deste El Niño.

Por outro lado, o fenômeno também pode desencadear inundações em áreas suscetíveis, causando destruição e deslocamento de populações. A imprevisibilidade e a severidade desses eventos exigem preparação e resposta rápida por parte das autoridades e comunidades em todo o mundo.

Relatório da ONU: aquecimento global acima das projeções

Um novo relatório divulgado pela ONU, especificamente pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), aponta que o aquecimento global pode ser mais intenso do que as projeções anteriores indicavam. Mesmo no cenário mais otimista, as temperaturas médias globais podem subir entre 1,7 e 1,8 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais até meados do século.

A expansão das energias renováveis e as políticas climáticas atuais, embora positivas, ainda não são suficientes para reverter a trajetória de aquecimento. O relatório enfatiza a necessidade de reduções urgentes e rigorosas nas emissões de gases de efeito estufa para se aproximar do cenário mais desejável.

Segundo o Pnuma, as emissões de gases de efeito estufa precisariam cair significativamente até 2030, 2035 e 2040. As reduções projetadas pelos planos nacionais atuais são de apenas 5% a 8% até 2030, o que é insuficiente para cumprir as metas climáticas globais.

Metas climáticas em risco e a urgência de ação

O relatório projeta um aquecimento global de 2,8 graus Celsius até 2100 sob as políticas atuais, ou 2,6 °C se os países cumprirem integralmente seus compromissos climáticos. Ambas as estimativas superam as projeções do ano passado, refletindo a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e revisões nas avaliações de emissões históricas.

António Guterres, secretário-geral da ONU, reforçou a importância de não desistir dos esforços para conter as emissões. Ele declarou que, mesmo com as metas sendo ultrapassadas, ainda é possível limitar o aumento da temperatura e trabalhar para que ela retorne a níveis mais seguros, como os 1,5 grau Celsius, até o final do século.

O Acordo de Paris de 2015 estabeleceu o objetivo de manter o aumento médio da temperatura bem abaixo de 2 graus Celsius, com preferência para 1,5 °C. No entanto, o Pnuma sugere que, como limitar o aquecimento a 1,5 °C sem ultrapassagem pode não ser mais possível, o novo cenário de ultrapassagem limitada oferece uma chance de retorno a esses níveis até 2100, dependendo da remoção em larga escala de carbono, cuja viabilidade ainda é incerta.

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