Quarta-feira, 08 de Julho de 2026 às 16:30
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EUA Investigam Práticas Comerciais do Brasil: O que Está em Jogo nas Audiências Públicas e Possíveis Tarifas de 25%?

Brasil no Centro das Atenções Comerciais dos Estados Unidos: Entenda as Audiências e Possíveis Impactos

O Brasil se encontra no epicentro de duas audiências públicas cruciais promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O objetivo é investigar supostas práticas comerciais brasileiras que poderiam ser consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses econômicos norte-americanos.

A primeira audiência, focada na proposta de sobretaxar produtos brasileiros em 25%, abrange aspectos como comércio digital, combate à corrupção e acesso ao mercado de etanol. A segunda, por sua vez, investiga falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão e à exportação de bens produzidos com trabalho forçado, envolvendo 60 nações, incluindo o Brasil.

Esses debates, realizados em Washington, são parte de um processo formal de consultas com setores produtivos e governos. As investigações se baseiam na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, que autoriza ações contra práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos. Conforme informação divulgada pelo USTR, as investigações foram instauradas em julho de 2025 e março de 2026, respectivamente.

Análise Detalhada das Práticas Comerciais Brasileiras em Foco

A primeira audiência pública, que se estendeu entre segunda (6) e terça-feira (7), examinou seis áreas específicas de atuação brasileira. Entre elas, destacam-se o sistema de pagamento eletrônico Pix, tarifas preferenciais, políticas de combate à corrupção, a proteção da propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol e as ações de combate ao desmatamento ilegal.

Dezenas de entidades e empresas, tanto brasileiras quanto americanas, participaram ativamente dessas discussões. Figuras importantes como a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Embraer estiveram presentes. O senador Flávio Bolsonaro também foi ouvido durante o evento.

Combate ao Trabalho Análogo à Escravidão e o Impacto nas Exportações

A segunda audiência pública, iniciada nesta terça (7) e com previsão de término na quinta-feira (9), concentra-se em acusações de falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão e à exportação de bens produzidos com trabalho forçado. Esta investigação abrange um número significativo de países, incluindo o Brasil.

A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) e o Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais (Sindifer) apresentaram seus argumentos buscando demonstrar que a imposição de sobretaxas teria efeitos negativos para empresas americanas e para a economia dos Estados Unidos.

Argumentos Brasileiros Contra as Tarifas e a Defesa da Soberania Comercial

A Centrorochas, em nota, adiantou sua estratégia para provar que a sobretaxa na importação de rochas naturais brasileiras seria prejudicial. Segundo a entidade, os Estados Unidos são o principal mercado para rochas naturais brasileiras, com exportações totalizando US$ 795 milhões no ano passado, movimentando cerca de 587 mil toneladas.

Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas, argumentou que as rochas naturais brasileiras não representam uma ameaça à produção doméstica americana, mas sim um complemento à cadeia produtiva, gerando empregos e renda nos EUA. Ele enfatizou que a competitividade das empresas americanas seria prejudicada pela aplicação de novas tarifas.

Em resposta às conclusões preliminares do USTR, o Itamaraty contestou os argumentos favoráveis à sobretaxa. Em documento enviado ao escritório, o governo brasileiro sustentou que as práticas comerciais do país não prejudicam os EUA ou suas empresas, solicitando que medidas unilaterais sejam evitadas. O Itamaraty alegou que o USTR não estabeleceu um nexo legal claro entre as práticas brasileiras e um ônus ou restrição identificável ao comércio dos EUA, argumentando que a legislação americana não autoriza a imposição de medidas comerciais apenas pela discordância com escolhas políticas soberanas de outro país.

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