Brasil e Quênia defendem parcerias com a China, contestando críticas do G7 sobre o impacto econômico global.
Durante a cúpula do G7, o Brasil e o Quênia, convidados para o evento, defenderam firmemente as relações comerciais e de investimento com a China. A posição se contrapõe às críticas levantadas pelos líderes das potências ocidentais, que expressaram preocupação com o que consideram um desequilíbrio na economia internacional causado pelo gigante asiático.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente queniano, William Ruto, argumentaram que, para os países em desenvolvimento, as parcerias com a China representam oportunidades econômicas significativas. Eles destacaram que Pequim tem oferecido acordos vantajosos, especialmente em infraestrutura e investimentos, algo que, segundo eles, tem sido menos proeminente por parte dos países ocidentais.
Essa defesa das relações com a China por parte de Brasil e Quênia surge em um momento de crescentes tensões geopolíticas e econômicas globais. A divergência de perspectivas entre os países convidados e os membros do G7 evidencia diferentes visões sobre o papel da China no cenário mundial e as estratégias de desenvolvimento para nações emergentes. Conforme informações divulgadas, o G7 expressou preocupação com o superávit chinês e o consumo interno considerado baixo.
G7 Aponta Desequilíbrios Econômicos Causados pela China
Um dos documentos do G7, focado nos desequilíbrios da economia mundial, apontou que a China, com um superávit projetado de US$ 1,2 trilhão em 2025 e um consumo interno baixo, estaria prejudicando a balança comercial de países como os Estados Unidos e da Europa. O grupo de potências ocidentais manifestou preocupação com “desequilíbrios em setores mais específicos, como terras raras, veículos elétricos e outros”, áreas onde a China detém liderança no comércio global.
O documento do G7 também criticou a desvalorização do renminbi (RMB), a moeda chinesa, argumentando que isso favorece as exportações chinesas no comércio internacional. “A China responde por quase toda a valorização efetiva real do euro desde 2021”, afirmou o texto, indicando o desejo por “maior flexibilidade na taxa de câmbio do RMB”.
Brasil e Quênia Veem Oportunidades, Não Ameaças
O presidente Lula rebateu as críticas, afirmando que o que o G7 vê como uma ameaça, os países em desenvolvimento enxergam como uma oportunidade. Ele ressaltou que os chineses são os maiores investidores atuais na África e na América Latina, enquanto europeus e norte-americanos têm tido uma participação menos expressiva em termos de competição e investimento direto.
O presidente queniano, William Ruto, reforçou essa visão, declarando que a China é o parceiro que o Quênia tem disponível, e que ter Pequim como parceiro é preferível a não ter nenhum. Nos últimos 20 anos, a África tem se beneficiado da ascensão econômica chinesa para impulsionar seu próprio desenvolvimento, especialmente através de parcerias em infraestrutura de transporte, energia e indústria.
China Responde às Críticas do G7
Em resposta às críticas do G7, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que as práticas comerciais chinesas estão em conformidade com as normas internacionais. “Exortamos o G7 a observar com seriedade os princípios da economia de mercado e as regras do comércio internacional, e a parar de perturbar a ordem comercial internacional com regras criadas por um pequeno grupo”, declarou Jian.
A China tem se tornado um parceiro comercial cada vez mais importante para a maioria dos países da América Latina. Diante dessa crescente influência chinesa, o governo dos Estados Unidos tem buscado reafirmar sua “proeminência” na região, indicando uma disputa por influência econômica e política.
Brasil Assina Documentos Específicos na Cúpula do G7
O Brasil assinou três dos nove documentos apresentados na cúpula do G7. Os acordos assinados pelo governo brasileiro tratam de medidas de combate ao câncer, proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais, e combate ao narcoturismo. É importante notar que o documento sobre narcoturismo não associa o tráfico de drogas ao terrorismo, uma postura que o Brasil adota para evitar que essa associação seja usada como pretexto para intervenções estrangeiras em seu território.
Os demais documentos não foram assinados pelo Brasil, pois o governo considera que os textos refletem uma “visão de mundo” específica do G7, que pode não estar alinhada com os interesses e perspectivas de um país em desenvolvimento como o Brasil.
