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Colômbia Decide Futuro: Esquerda Aliada de Petro vs. Direita Pró-Trump em Eleição Polarizada

Colômbia em Encruzilhada: Esquerda vs. Direita Pró-Trump Define o Próximo Presidente

Os colombianos se preparam para um momento decisivo em seu futuro político, com o segundo turno das eleições presidenciais marcado para o próximo domingo. A disputa se concentra entre dois projetos diametralmente opostos: de um lado, a esquerda representada por Iván Cepeda, aliado do atual presidente Gustavo Petro, e do outro, a extrema-direita com Abelardo De La Espriella, que conta com o apoio explícito do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A polarização reflete não apenas as visões internas sobre o rumo do país, mas também as influências externas que buscam moldar a geopolítica sul-americana. A eleição pode fortalecer ou enfraquecer a posição de governos alinhados a agendas progressistas na região, em contraponto a políticas de maior aproximação com a Casa Branca sob uma perspectiva conservadora.

O resultado deste pleito promete reverberar além das fronteiras colombianas, impactando alianças regionais e o debate sobre soberania e desenvolvimento na América do Sul. Acompanhe os detalhes dessa disputa acirrada e seus possíveis desdobramentos, conforme análises de especialistas e dados do primeiro turno. As informações são baseadas em reportagens da Agência Brasil.

O Cenário do Primeiro Turno e a Disputa Atual

No primeiro turno, realizado em 31 de maio, Abelardo De La Espriella obteve uma vantagem inicial, superando Iván Cepeda por uma margem de 673 mil votos em um universo de mais de 41 milhões de eleitores aptos. A participação eleitoral foi de 57%, em um país onde o voto não é obrigatório, demonstrando o engajamento de uma parcela significativa da população.

A vitória de Espriella, segundo o professor Sebástian Granda Henao, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), poderia ser vista como mais uma peça no xadrez de Donald Trump para influenciar a política continental. “Vai ser mais uma ficha no tabuleiro desse modo imperial de Trump governar, se colocando para o mundo cobrando obediência”, explicou Henao.

Por outro lado, uma vitória de Cepeda representaria a continuidade de uma aliança política na América Latina, fortalecendo a posição de países como Colômbia, Brasil e México, que têm buscado posições comuns nas relações internacionais. Cepeda busca dar seguimento ao projeto do Pacto Histórico, que estabeleceu o primeiro governo de esquerda na história da Colômbia.

Os Candidatos: Trajetórias e Propostas

Iván Cepeda, atual senador em seu terceiro mandato, é filiado ao Partido Político Polo Democrático Alternativo e possui formação em filosofia, com forte atuação em defesa dos direitos humanos. Sua trajetória política é marcada pela herança de seu pai, o ex-senador Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 em um contexto de violência política no país.

Abelardo De La Espriella, por sua vez, é um advogado multimilionário que se apresenta como um outsider na política, nunca tendo ocupado um cargo eletivo anteriormente. Ele promete uma aproximação maior com a Casa Branca e com Israel, adotando uma retórica que, segundo o professor Henao, remete à “velha retórica de que o problema da América Latina são as drogas e a migração, na mesma velha estratégia armamentista de guerra às drogas”.

Espriella, que já viveu na Itália e defendeu figuras controversas como Jorge Visbal, ligado a paramilitares, e Alex Saab, ex-colaborador do governo de Nicolás Maduro, adota um discurso de “homem forte”, espelhando táticas vistas em outros líderes latino-americanos como Javier Milei, da Argentina. “Ele segue um padrão latino-americano dessa nova direita, usando metáforas de ‘homem forte’, referindo-se a si mesmo como ‘tigre’”, comentou Henao.

Desafios da Colômbia e Perspectivas Eleitorais

A Colômbia chega a este segundo turno marcada por décadas de conflitos armados e pela dificuldade do atual governo em consolidar o projeto de “Paz Total”. No entanto, o país, com 53 milhões de habitantes, mantém índices econômicos estáveis, com crescimento salarial e aprovação de reformas importantes, como a trabalhista e a da previdência.

A candidata Paloma Valencia, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno com 6,9% dos votos, declarou apoio a De La Espriella, o que o coloca em uma posição de favorito para muitos analistas. Contudo, o especialista Sebástian Henao ressalta que a disputa ainda é incerta.

“Acho que, de modo geral, a situação se reconfigura parecida com o cenário da vitória de Petro em 2022”, avalia Henao, lembrando que, apesar de os candidatos de direita terem somado mais votos que Petro no primeiro turno de 2022, o atual presidente venceu a eleição no segundo turno. Ele sugere que eleitores de direita mais moderados podem não se identificar totalmente com Espriella, e que eventos como a Copa do Mundo podem influenciar a mobilização eleitoral.

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