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Frio e Fibromialgia: Especialista Revela Como o Inverno Agrava Dores e Quais Cuidados Tomar Agora

Frio intensifica dores em pacientes com fibromialgia, saiba como se proteger neste inverno

A chegada do inverno traz consigo temperaturas mais baixas, e para muitas pessoas com fibromialgia, isso significa um aumento significativo das dores e do desconforto geral. A condição, caracterizada por dor difusa e sensibilidade exacerbada do sistema nervoso, pode ter seus sintomas agravados pelo clima frio.

Fatores fisiológicos e comportamentais se somam durante essa estação, tornando o alívio da dor um desafio ainda maior. A forma como o corpo reage ao frio e as mudanças de hábitos comuns no inverno contribuem para essa intensificação.

Para entender melhor como o frio afeta quem tem fibromialgia e quais medidas podem ser tomadas, conversamos com a médica fisiatra Lin Tchia Yeng, coordenadora do Curso Interdisciplinar de Dor da USP. Ela explica a relação entre as baixas temperaturas e o agravamento dos sintomas, além de oferecer orientações valiosas para o bem-estar durante os meses mais frios.

Por que o frio piora a dor da fibromialgia?

Segundo a médica fisiatra Lin Tchia Yeng, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o frio provoca uma reação natural no corpo: a contração muscular. Isso leva a uma redução da movimentação espontânea e a um aumento da tensão muscular. Em pessoas sem dor crônica, isso pode gerar um leve desconforto, mas em quem tem fibromialgia, esse efeito é amplificado.

A fibromialgia é marcada pela sensibilização do sistema nervoso, tanto periférico quanto central. Isso significa que o organismo interpreta estímulos comuns como mais intensos e dolorosos. Assim, o frio, o vento e as mudanças bruscas de clima podem funcionar como gatilhos adicionais para a dor, aumentando a percepção geral de desconforto.

Além dos estímulos ambientais, outros fatores sensoriais como sons altos ou cheiros fortes também podem ser percebidos de forma exacerbada por quem tem fibromialgia. O frio, portanto, não é o único vilão, mas contribui para um quadro de maior sensibilidade.

Mudanças de comportamento no inverno e o ciclo da dor

O inverno também traz mudanças no comportamento que podem piorar os sintomas da fibromialgia. Muitas pessoas tendem a reduzir a prática de atividades físicas, passam mais tempo sentadas e, em alguns casos, abandonam terapias e acompanhamentos médicos. Esse sedentarismo agrava a rigidez muscular e aumenta a dor, criando um ciclo vicioso.

A falta de movimento leva a uma maior rigidez muscular e, consequentemente, a um aumento da dor. Esse ciclo se retroalimenta, pois o desconforto gerado pelo sedentarismo pode desmotivar ainda mais a prática de exercícios, intensificando os sintomas.

Para combater esse efeito, a especialista ressalta a importância de manter o corpo em movimento, mesmo em casa. Exercícios simples de alongamento, mobilidade articular e fortalecimento muscular ajudam a reduzir a tensão e a melhorar a funcionalidade, aliviando a dor.

Cuidados essenciais para o conforto térmico e bem-estar

Manter o corpo aquecido é fundamental. O uso de roupas adequadas para o frio, compressas quentes, bolsas térmicas e adesivos aquecedores podem ajudar a relaxar a musculatura e aliviar a dor localizada. Práticas como o escalda-pés, com água quente, também promovem relaxamento e conforto térmico, contribuindo indiretamente para o controle da dor.

Recursos de automassagem, como o uso de bolinhas de liberação miofascial, também são úteis para aliviar pontos de tensão muscular. Evitar longos períodos sentados, com pausas regulares a cada 50 ou 60 minutos para se movimentar, é outra recomendação importante para aliviar a sobrecarga em regiões como a lombar e a cervical.

A alimentação também desempenha um papel crucial. A médica alerta para a importância de incluir fontes de proteína nas sopas e refeições, pois elas são essenciais para a manutenção da massa muscular e o bom funcionamento do organismo. Uma dieta equilibrada, com proteínas, fibras e carboidratos complexos, é fundamental para evitar a fraqueza e o aumento do desconforto.

O manejo da fibromialgia vai além dos medicamentos

A especialista Lin Tchia Yeng enfatiza que o manejo da fibromialgia no inverno deve ser abrangente. Não se trata apenas de controlar a dor com medicamentos, mas de adotar um conjunto de hábitos que incluem movimento constante, aquecimento corporal adequado, uma alimentação equilibrada e a continuidade do acompanhamento de saúde.

A combinação dessas estratégias é essencial para reduzir a intensidade dos sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida durante os meses mais frios do ano. Cuidar do corpo e da mente de forma integrada é a chave para enfrentar os desafios do inverno com fibromialgia.

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