Presidente Lula defende reciprocidade em caso de expulsão de agente americano após saída de delegado da PF do Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à decisão de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da Polícia Federal em Brasília. A ação, segundo o presidente, se baseia no princípio da reciprocidade.
A declaração de Lula ocorre em resposta à determinação dos Estados Unidos para que o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da Polícia Federal, deixasse o território americano. O delegado estaria envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
“Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, afirmou Lula em vídeo divulgado nas redes sociais, ao lado do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. A informação foi divulgada pelo presidente nas redes sociais.
Retaliação brasileira segue expulsão de delegado da PF
A iniciativa brasileira de retirar as credenciais do agente americano aconteceu após o governo dos EUA solicitar a saída do delegado brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) comunicou à embaixada norte-americana que o Brasil aplicaria o princípio da reciprocidade. A decisão foi tomada diante da “decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo”, conforme nota divulgada pelo MRE na rede X.
O MRE ressaltou que a medida não observa a boa prática diplomática entre nações amigas, como Brasil e Estados Unidos, que mantêm relações há mais de 200 anos. O agente brasileiro atuava com base em um memorando de entendimento entre os governos para facilitar o intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança.
Entenda o caso de Alexandre Ramagem
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos havia solicitado a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora não tenha divulgado nomes, a informação aponta para o delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, que atuou na prisão de Alexandre Ramagem. Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi preso na Flórida e posteriormente solto.
O ex-deputado foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão em ação penal relacionada a uma trama golpista. Após a condenação, perdeu o mandato e fugiu do Brasil para evitar o cumprimento da pena. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos.
A Polícia Federal informou em abril que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração americano foi resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. O ex-deputado é considerado foragido da Justiça brasileira por crimes como organização criminosa armada e tentativa de golpe de Estado.
Lula anuncia reforço na Polícia Federal
Em meio ao anúncio sobre a expulsão do agente americano, o presidente Lula também revelou, no vídeo divulgado nas redes sociais, a contratação de 1 mil novos agentes para a Polícia Federal. Esses novos profissionais deverão reforçar a atuação da PF em portos, aeroportos e regiões de fronteira, como parte do compromisso do governo federal no combate ao crime organizado.
