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Dólar dispara e petróleo irrompe em chamas: Ataque ao Irã desestabiliza mercados globais

Dólar e petróleo em alta após ataque ao Irã: Entenda a onda de choque nos mercados globais

A instabilidade geopolítica mundial atingiu em cheio os mercados financeiros nesta segunda-feira (2). Após uma ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que resultou na morte de centenas de pessoas, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, os preços do petróleo dispararam e o dólar se fortaleceu. A preocupação com o fornecimento global de energia e a fuga de investidores para ativos considerados seguros impulsionaram essas movimentações.

A tensão no Oriente Médio, especialmente com o potencial fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo, joga um holofote sobre a volatilidade dos mercados. Analistas alertam para possíveis impactos na inflação e nas decisões de política monetária, como a taxa de juros brasileira.

As ações da Petrobras também sentiram o impacto, com alta na bolsa brasileira, refletindo o comportamento dos preços do petróleo. Acompanhe os desdobramentos e o que isso significa para a economia.

Petróleo Brent e WTI disparam com temor de bloqueio do Estreito de Ormuz

O preço do petróleo no mercado internacional registrou uma forte alta na manhã desta segunda-feira. O contrato futuro do tipo Brent, referência global, chegou a ser negociado perto de US$ 79 o barril, um avanço de cerca de 7,6%. Já o WTI, negociado em Nova York, saltou aproximadamente 6%, cotado a pouco mais de US$ 71 o barril. Essa escalada de preços é diretamente ligada à preocupação com o **Estreito de Ormuz**, um gargalo logístico por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Segundo o economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, o Estreito de Ormuz é a principal rota para o transporte de petróleo de grandes produtores como Irã, Arábia Saudita e Iraque. “É o principal fator que faz o preço do petróleo explodir. Com o Estreito de Ormuz fechado, a oferta cai muito e, consequentemente, os preços sobem quase que de forma imediata”, explicou Sartori.

O Brent chegou a apresentar uma alta de 13% no dia, superando os US$ 80, o que, para Sartori, demonstra a **extrema volatilidade dos preços em cenários de conflito**. Ele prevê que os preços do petróleo continuarão elevados, podendo subir ainda mais, caso o conflito se prolongue e o Estreito de Ormuz permaneça bloqueado, à medida que os estoques disponíveis se reduzam.

OPEP+ pode suprir demanda, mas logística do Estreito de Ormuz é o entrave

A preocupação global não reside na capacidade de produção de petróleo, mas sim na **logística de transporte**, conforme aponta Otávio Oliveira, gerente da tesouraria do Banco Daycoval. Ele ressalta que a OPEP+ já anunciou um aumento na produção para garantir o suprimento. “A OPEP tem capacidade produtiva ociosa suficiente para poder suprir o Irã, se o país for retirado da equação produtiva do petróleo global”, avalia Oliveira.

No entanto, o gerente chama atenção para a fragilidade da rota do Estreito de Ormuz. “Realmente é estreito, com pouca coisa você conseguiria fechá-lo. Um conflito, então, nem se fala”, comenta. A interrupção do tráfego de navios poderia gerar uma “bagunça” nas cadeias produtivas globais, afetando até mesmo o Brasil, que, apesar de exportador, importa derivados de petróleo que chegariam mais caros.

Inflação e juros em xeque: Reflexos do conflito no Brasil

A alta contínua do preço do petróleo, caso a guerra se estenda, pode forçar o repasse de custos aos consumidores, gerando um **”repique na inflação”**, segundo Rodolpho Sartori. Essa pressão inflacionária pode influenciar as decisões do Banco Central em relação à taxa de juros.

Otávio Oliveira, do Banco Daycoval, não descarta que o conflito leve a uma **diminuição na magnitude do corte de juros** pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A expectativa inicial era de um corte de 0,50 ponto percentual na reunião de março, mas agora cogita-se uma redução de apenas 0,25 ponto percentual, o que tornaria o estímulo à economia menos expressivo.

Dólar se fortalece: Fuga de risco impulsiona moeda americana

O dólar interrompeu sua trajetória de queda e apresentou alta nesta segunda-feira, quando atingiu o menor valor em 21 meses. Pouco antes das 13h, a cotação da moeda estrangeira rondava os R$ 5,20, com uma valorização próxima a 1%. Esse movimento é explicado pela “fuga do risco”, onde investidores retiram recursos de mercados emergentes, considerados mais arriscados, em direção a economias mais consolidadas.

“Tem a venda do real e a compra de outros ativos, tal qual o próprio dólar, que se fortalece globalmente, e outras moedas que são justamente utilizadas para momentos como esse, como o iene, japonês”, detalha Oliveira. Quando uma moeda é muito procurada, seu preço sobe.

Rodolpho Sartori considera o cenário do dólar complexo. Embora incertezas globais geralmente fortaleçam a moeda americana, ele aponta que a gestão do presidente Donald Trump gera dúvidas que têm “pesado contra a própria moeda”. “Parece-me natural que haja algum repique no dólar nesses primeiros dias de conflito, mas não temos mais o quadro do dólar se valorizar de forma abrupta por conta de conflitos, como antes ocorria. Imagino que a moeda americana siga oscilando na faixa de R$ 5,20 a R$ 5,25”, estima Sartori.

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