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Câncer no Brasil: Quase Metade das Mortes Seriam Evitáveis com Prevenção e Diagnóstico Precoce, Revela Estudo

Estudo global revela que Brasil tem alta taxa de mortes por câncer evitáveis, superando média mundial em alguns aspectos.

Uma pesquisa internacional publicada na renomada revista científica The Lancet lança um alerta sobre a saúde pública no Brasil. O estudo, que analisou dados de 185 países, estima que **quase metade das mortes por câncer no Brasil poderiam ser evitadas**. Essa constatação reforça a necessidade de investimentos em prevenção, diagnóstico precoce e acesso a tratamentos de qualidade.

A pesquisa, realizada por pesquisadores ligados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), detalha que, no Brasil, de cerca de 253,2 mil mortes previstas por câncer em até cinco anos após o diagnóstico em 2022, aproximadamente **109,4 mil poderiam ser evitadas**. Isso representa um percentual de 43,2% de óbitos evitáveis.

Esses números preocupantes foram divulgados em um momento crucial para a saúde pública brasileira. Conforme informação divulgada pelo estudo, as mortes evitáveis no país foram divididas em dois grupos principais: 65,2 mil casos onde a doença poderia ter sido prevenida antes mesmo de se manifestar, e outros 44,2 mil casos que poderiam ter um desfecho positivo com **diagnóstico precoce e tratamento adequado**.

Prevenção e Diagnóstico: Pilares Contra o Câncer Evitável

O estudo da The Lancet divide as mortes evitáveis em duas categorias principais: aquelas que poderiam ser prevenidas, evitando que a doença se desenvolvesse, e aquelas que poderiam ser curadas através do diagnóstico precoce e tratamento adequado. No Brasil, a maior parte das mortes evitáveis se enquadra na primeira categoria, com 65,2 mil casos que poderiam ter sido prevenidos.

Isso significa que ações focadas na redução dos fatores de risco são cruciais. Os pesquisadores destacam cinco principais fatores de risco associados a mortes por câncer que poderiam ser evitados: o tabaco, o consumo de álcool, o excesso de peso, a exposição à radiação ultravioleta e certas infecções, como as causadas pelos vírus HPV e hepatite, e pela bactéria Helicobacter pylori.

Disparidades Globais e no Brasil Chamam Atenção

A pesquisa global revela que o percentual de mortes por câncer evitáveis em todo o mundo é de 47,6%, o que significa que quase 4,5 milhões de mortes, de um total de 9,4 milhões, poderiam ter sido evitadas. O Brasil, com seus 43,2% de mortes evitáveis, apresenta um índice próximo ao da América do Sul como um todo, que registra 43,8%.

No entanto, o estudo aponta grandes disparidades. Enquanto países do norte da Europa, como a Suécia, apresentam taxas de mortes evitáveis em torno de 28,1%, países africanos como Serra Leoa chegam a 72,8%. Essa diferença evidencia como o acesso à saúde, a educação e o desenvolvimento socioeconômico impactam diretamente a capacidade de prevenir e tratar o câncer.

As desigualdades também se manifestam quando os países são agrupados pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em nações com baixo IDH, 60,8% das mortes por câncer são evitáveis, enquanto em países com IDH muito alto, esse percentual cai para 40,5%. O Brasil, classificado como país de IDH alto, reflete essa tendência.

Tipos de Câncer e Caminhos para o Combate

O estudo destaca que os cânceres de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero são responsáveis por 59,1% das mortes evitáveis. O câncer de pulmão lidera como o principal causador de mortes evitáveis por prevenção, com 1,1 milhão de óbitos. Já o câncer de mama é o que mais se beneficia do diagnóstico precoce e tratamento, com 200 mil mortes tratáveis.

Para reverter esse quadro, os pesquisadores sugerem ações concretas. Entre elas, estão campanhas para reduzir o tabagismo e o consumo de álcool, com medidas como o aumento de impostos sobre esses produtos. A regulação da publicidade e a taxação de alimentos não saudáveis também são apontadas como estratégias importantes para combater o excesso de peso.

A prevenção de infecções associadas ao câncer, como o HPV, por meio da vacinação, é fundamental. Além disso, o estudo reforça a meta da OMS para o câncer de mama: que 60% dos casos sejam diagnosticados nos estágios iniciais (um ou dois) e que 80% dos pacientes recebam diagnóstico em até 60 dias. O combate às mortes evitáveis por câncer exige um esforço global contínuo, com adaptação de estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento, especialmente em países com menor desenvolvimento humano.

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