Terça-feira, 08 de Setembro de 2026 às 07:48
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Nepal: Buscas por 900 trabalhadores de hidrelétricas desaparecidos após enchentes devastadoras no Himalaia

Nepal intensifica buscas por trabalhadores desaparecidos em túneis de hidrelétricas após enchentes catastróficas

Equipes de resgate nepalesas concentram nesta segunda-feira (7) os esforços na localização de mais de 100 trabalhadores de usinas hidrelétricas, que podem estar presos em túneis. A ação ocorre dias após resgates considerados milagrosos em meio aos escombros deixados por enchentes que devastaram cidades e vilarejos na fronteira do Himalaia com a China.

Os resgates bem-sucedidos dos últimos dias trouxeram um fio de esperança para o Nepal, que completa o 13º dia após o desastre. Tradicionalmente, este é o último dia de luto nos ritos hindus, com centenas de mortos confirmados nas enchentes.

Conforme informação divulgada pelas equipes de resgate do Exército, cerca de 121 das 900 pessoas desaparecidas nos projetos hidrelétricos podem estar presas em túneis. Outras pessoas podem ter trabalhado em diferentes locais das usinas, mas não necessariamente dentro da vasta rede subterrânea. Conforme informação divulgada pelas equipes de resgate do Exército, cerca de 121 das 900 pessoas desaparecidas nos projetos hidrelétricos podem estar presas em túneis. Outras pessoas podem ter trabalhado em diferentes locais das usinas, mas não necessariamente dentro da vasta rede subterrânea.

Esforços concentrados em usinas hidrelétricas e túneis de resgate

Entre os desaparecidos que as equipes tentam localizar nesta segunda-feira estão quatro de seis pessoas sumidas no projeto hidrelétrico de Chilime, no distrito de Rasuwa. Este local foi severamente atingido pelas enchentes. Shri Ram Neupane, um parlamentar envolvido nos esforços de resgate, informou à Reuters que ainda há esperança de que essas pessoas estejam vivas.

As autoridades já obtiveram equipamentos especializados e identificaram as técnicas necessárias para a operação em Chilime, segundo Neupane. As equipes de resgate acreditam na possibilidade de haver sobreviventes presos dentro dos túneis, pois muitos deles possuem bolsas de ar e espaços que poderiam servir de abrigo, conforme afirmaram na semana passada.

Resgates recentes e o luto nacional

Nos últimos dias, equipes de busca no Nepal resgataram quatro pessoas. Um cidadão chinês foi retirado de um túnel no sábado (5). Na sexta-feira (4), dois trabalhadores de usinas hidrelétricas foram resgatados de outro túnel, e uma mulher nepalesa foi retirada de sua casa soterrada no sábado.

Órgãos governamentais no Nepal, país de maioria hindu, e representações diplomáticas no exterior hastearão a bandeira nacional a meio-mastro para marcar o 13º dia de luto. O Ministério do Interior emitiu um comunicado informando sobre a data, que é celebrada com rituais e oferendas de alimentos pelos fiéis.

Origem do desastre e pedido de ajuda internacional

O desastre ocorreu em 26 de agosto, quando uma enorme massa de lama e rochas, resultante do desabamento de parte de uma geleira, desabou em um rio na fronteira entre o Nepal e a região do Tibete, na China. As enchentes arrasaram cidades e vilarejos, soterrando estradas com lama e detritos.

Pelo menos 1.380 pessoas morreram no deslizamento de terra, e mais de 5.500 estão desaparecidas no Nepal e no Tibete. O Nepal solicitou à comunidade internacional suprimentos urgentes, incluindo drones de alta capacidade, pontes Bailey, kits de teste de DNA, trajes de resgate em túneis e itens para prevenção de epidemias, conforme comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

China compartilha informações e busca por desaparecidos no Tibete

Autoridades chinesas informaram no domingo (6) que equipes de resgate recuperaram mais 12 corpos, enquanto as buscas por centenas de desaparecidos continuam no Tibete. Muitos dos desaparecidos são turistas indianos ou de origem indiana que visitavam locais sagrados de peregrinação hindu no Tibete, como o Lago Mansarovar e o Monte Kailash.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, declarou em entrevista que a parte chinesa continuará a fazer todos os esforços para conduzir operações de busca e resgate e lidar com as questões pós-desastre. A China tem enfrentado pressão de famílias de turistas estrangeiros no Tibete, que relatam dificuldades em obter informações sobre seus parentes desaparecidos.

Mao assegurou que Pequim divulgará prontamente informações atualizadas sobre a situação do desastre e as atividades de resgate. No domingo, a China convidou pela primeira vez jornalistas de oito veículos de mídia estrangeiros, incluindo a Reuters, para visitar as principais áreas afetadas.

Adaptação do luto e ações de segurança

Com as equipes de busca ainda ativas na procura por sobreviventes, o governo do Nepal não planejou eventos de grande porte para o último dia de luto. Phanindra Paudel, do Centro Nacional de Operações de Emergência (NEOC), informou à Reuters que não há programas governamentais organizados, pois as operações de resgate e busca ainda estão em andamento nas áreas atingidas pelas enchentes.

O presidente Ram Chandra Paudel, chefe de Estado cerimonial, visitou as áreas afetadas pelas enchentes para avaliar os danos causados pelo desastre, conforme informado por seu assessor. Em Nuwakot, um dos distritos mais afetados, agentes de segurança da prisão distrital salvaram 923 presos ao transferi-los para um prédio em local mais elevado antes que as águas da enchente invadissem o prédio onde estavam, que ficava em terreno baixo, no dia 26 de agosto, conforme postagem do primeiro-ministro Balendra Shah nas redes sociais.

As autoridades também capturaram 50 presos que haviam quebrado o muro e os portões da prisão quando a enchente começou e fugido apenas 100 metros, segundo Shah.

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