PrEP contra HIV: Brasil tem maior diferença entre conhecimento e uso, aponta pesquisa internacional
Uma pesquisa inédita realizada com usuários do aplicativo de relacionamentos Grindr em 10 países revelou uma preocupante lacuna entre o alto conhecimento sobre a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) como método de prevenção ao HIV e seu uso efetivo. O estudo, divulgado nesta segunda-feira (27), sugere que o acesso à prevenção é o principal gargalo, e não a falta de informação.
No Brasil, a disparidade é gritante: 72% dos participantes conhecem a PrEP, mas apenas 28% a utilizam regularmente. Quando se trata da PrEP sob demanda, o conhecimento cai para 65%, e o uso para apenas 13%. Esses dados foram divulgados pela iniciativa Grindr for Equality, voltada para ações sociais, de saúde e direitos humanos.
A pesquisa, intitulada “Closing the Gap” (Fechando a Lacuna), ouviu 18.287 usuários do Grindr e destacou que, embora o Brasil apresente a maior diferença entre conhecimento e uso, essa desconexão é um problema global. O relatório conclui que o principal desafio atual não é a conscientização, mas sim o acesso facilitado à PrEP.
O que é a PrEP e como funciona?
A PrEP, ou Profilaxia Pré-Exposição, é um método de prevenção ao HIV que consiste na ingestão de medicamentos antirretrovirais antes de uma potencial exposição ao vírus. Isso prepara o organismo para combater o HIV, caso ocorra um contato. Existem duas modalidades principais: a PrEP diária, indicada para pessoas em situação de maior vulnerabilidade e que exige o uso contínuo dos comprimidos, e a PrEP sob demanda, utilizada em situações específicas onde há previsão de risco e tempo hábil para a preparação, com uso antes e depois da relação sexual.
É fundamental ressaltar que o uso da PrEP não substitui a camisinha. O preservativo continua sendo essencial, pois oferece proteção contra outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como sífilis, hepatites B e C. A combinação de métodos preventivos é a estratégia mais eficaz para a saúde sexual.
Acesso à PrEP: O principal obstáculo
A pesquisa aponta que, mesmo com um alto nível de conhecimento sobre a PrEP, a transição para o uso é dificultada por diversos fatores. No Reino Unido, por exemplo, 79% conheciam a PrEP, mas apenas 35% a utilizavam. Na Índia, com o menor índice de conhecimento (28%), o uso era de apenas 7%. Isso reforça a conclusão de que o acesso é o maior desafio.
O relatório enfatiza que fechar essa lacuna exige um esforço conjunto de toda a sociedade e do sistema de saúde. Isso inclui organizações comunitárias, ministérios da saúde, financiadores, empresas farmacêuticas e pesquisadores. A colaboração entre esses atores é vista como crucial para garantir que mais pessoas tenham acesso à prevenção eficaz contra o HIV.
Fatores sociais e estruturais impactam o acesso
As barreiras de acesso à PrEP vão além da disponibilidade do medicamento. O estudo destaca que a criminalização, o estigma, a discriminação e o fechamento de espaços comunitários são determinantes sociais e estruturais que afetam diretamente a saúde da população LGBTQIA+. Esses fatores influenciam quem busca atendimento, quem tem acesso à prevenção e quem acaba sendo excluído.
Diante desse cenário, a iniciativa Grindr for Equality se comprometeu a conectar 10 milhões de pessoas LGBTQIA+ à prevenção do HIV até 2028, em uma iniciativa que abrangerá mais de 50 países. O objetivo é mitigar os impactos negativos desses determinantes sociais e promover um acesso mais equitativo às ferramentas de prevenção.
Conferência Internacional sobre Aids no Rio de Janeiro
A divulgação deste importante relatório coincide com a 26ª edição da Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro, de 27 a 31 de julho. Este é o primeiro ano em que a principal conferência global sobre prevenção ao HIV e tratamento da AIDS acontece no Brasil, reunindo líderes, pesquisadores e formuladores de políticas públicas de diversos países para discutir os avanços e desafios na luta contra a epidemia.
