O Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER) realizou no Museu de Arte do Rio (MAR) o segundo dia do Festival Pacto das Pretas, um evento que visa empoderar e dar visibilidade à mulher negra em espaços de poder e decisão. A iniciativa, que já está em sua quinta edição, percorre o Brasil para debater temas cruciais como governança corporativa, diversidade, empregabilidade e empreendedorismo.
O festival, que teve seu primeiro dia em Salvador e terá o terceiro em São Paulo, congrega cerca de 1,5 mil líderes para discutir o conceito de Movimento: Mulheres Negras Criando. A plataforma nacional de impacto socioeconômico é liderada pelo PER com o apoio de grandes empresas como Aegea, Caixa Capitalização, Banco do Brasil, Vivo, XP Inc e Natura, e conta com 85 empresas signatárias de um Protocolo ESG Racial.
A presidente do Conselho Deliberativo do PER, a historiadora Wânia Sant’Anna, enfatiza a importância de discutir a consolidação do papel da mulher negra como tomadora de decisões estratégicas na economia e na tecnologia. O evento foca em empregabilidade, empreendedorismo, economia e empoderamento, sem ignorar os processos discriminatórios que ainda limitam oportunidades para essas profissionais.
A escritora e comunicadora Luna Vitrolira ressalta que a liderança da mulher negra abre caminhos e inspira outras a ocuparem espaços de poder. “Incentivar essa liderança é investir em um futuro mais justo, mais próspero e mais representativo para toda a sociedade”, afirmou à Agência Brasil.
Antirracismo e Ferramentas para o Ambiente Corporativo
Um dos destaques da edição é a Plataforma Black Hub, um ecossistema digital voltado para a educação antirracista, cultura e aceleração profissional. Viabilizado pela Lei Rouanet e com investimento de marcas como Banco Itaú e Bayer, o projeto oferece recursos como a Cartilha ESG Racial. Desenvolvida em parceria com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), a cartilha fornece diretrizes práticas e indicadores para a incorporação estratégica da pauta antirracista pelas empresas.
Outra iniciativa importante é a Cartilha de Enfrentamento à Violência, liderada por Wânia Sant’Anna e desenvolvida em parceria com o escritório Daniel Law. O guia oferece recomendações e orientações para apoiar empresas na prevenção e construção de uma cultura corporativa de proteção às mulheres. O livro “Vozes que Ocupam”, com crônicas de importantes lideranças negras, também foi apresentado.
Celebrando o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha
Wânia Sant’Anna destacou que o festival ocorre em julho, mês que celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25 de julho), reforçando a relevância do debate. Luna Vitrolira acrescentou que a transformação acontece em conjunto, e que a voz tem o poder de reunir pessoas e criar pontes.
“Podemos falar de negócios, liderança, inovação e desenvolvimento sem perder de vista o afeto, a poesia, a escuta”, declarou Vitrolira, ressaltando que o futuro desejado precisa reconhecer a potência das mulheres negras como parte essencial do presente, ampliando as possibilidades para toda a sociedade.
Atração de Talentos e Networking Qualificado
O festival também funciona como um polo de atração de talentos para o mercado corporativo. Através do Programa Pacto Transforma, 30 executivas foram selecionadas para acelerar suas competências em alta governança e se preparar para cargos de C-Level e assentos em conselhos. A iniciativa visa conectar esse pipeline executivo de elite aos diretores de sustentabilidade e CEOs das organizações parceiras, fortalecendo o networking qualificado e a atração de lideranças no país.
