Domingo, 23 de Agosto de 2026 às 07:52
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7 em cada 10 brasileiros temem comprar remédios online: O que dizem Anvisa, Abrafarma e Procon-RJ sobre os riscos

70% dos brasileiros desconfiam de compras de medicamentos pela internet, aponta pesquisa. Veja os riscos e o que dizem as autoridades.

A maioria dos consumidores brasileiros demonstra receio ao pensar em comprar medicamentos pela internet. Um estudo recente aponta que uma parcela significativa da população teme adquirir produtos falsificados, vencidos ou sem a devida regulamentação sanitária.

Essa apreensão é justificada por experiências negativas e pela falta de clareza sobre a segurança das transações online de itens tão essenciais para a saúde. O medo de cair em golpes ou adquirir produtos de baixa qualidade é uma preocupação real para muitos.

Diante desse cenário, órgãos como a Anvisa, a Abrafarma e o Procon-RJ têm se posicionado sobre as novas regulamentações para a venda de medicamentos online, buscando equilibrar a conveniência com a segurança do consumidor. Conforme informação divulgada pela pesquisa QualiBest, encomendada pela Abrafarma, 69% dos consumidores brasileiros têm receio de adquirir medicamentos falsificados pela internet.

Riscos e responsabilidades na compra online de medicamentos

A pesquisa do Instituto QualiBest, realizada com 2.024 pessoas responsáveis pelas compras de medicamentos em domicílio, revela que 85% dos entrevistados atribuem às plataformas de venda online a responsabilidade pela oferta de remédios falsificados, sem registro ou de procedência desconhecida. Além da falsificação, 59% temem receber medicamentos vencidos ou mal armazenados, e 54% citam o risco de adquirir produtos sem registro na Anvisa.

Para os consumidores, as regras para a comercialização digital de medicamentos devem estar obrigatoriamente ligadas a farmácias ou drogarias autorizadas, com 82% concordando com essa afirmação. Adicionalmente, 71% acreditam que medicamentos não devem ser tratados como mercadorias comuns em plataformas digitais.

Anvisa e a regulamentação da venda online de remédios

Em agosto, a Anvisa revogou medidas que proibiam a comercialização e propaganda de medicamentos em plataformas como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee. Entretanto, a agência esclareceu que essa decisão não autoriza automaticamente a venda de medicamentos nesses canais.

A Lei nº 15.357/2026 permite que farmácias e drogarias licenciadas contratem canais digitais e plataformas de e-commerce para fins de logística e entrega, desde que cumprida a regulamentação sanitária. A implementação da medida ainda depende de regulamentação específica da Anvisa, conforme destacou o CEO da Abrafarma, Sérgio Menna Barreto.

Segundo Menna Barreto, a compra online de medicamentos exige **regras claras, responsabilização e supervisão profissional**, indo além da conveniência do canal. Medicamentos demandam um nível de controle superior ao de outras categorias vendidas pela internet. A Abrafarma enfatiza que qualquer novo modelo de comércio deve preservar as regras sanitárias aplicáveis à dispensa de medicamentos e as salvaguardas para a proteção da saúde pública.

A Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou a abertura de processo administrativo para regulamentar a contratação de canais digitais e plataformas por farmácias. A agência informou que editará as normas necessárias para adequar as regras sanitárias à Lei 15.357/2026, ressaltando que o artigo específico sobre este tema ainda depende de regulamentação.

Posicionamentos do CFF e Procon-RJ sobre a segurança do consumidor

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) ressaltou que a entrada das plataformas não significa a venda aleatória de medicamentos pela internet. O que será autorizado, após regulamentação da Anvisa, é a utilização das plataformas pelas farmácias para sua operação. O CFF acompanhará o processo de regulamentação.

O diretor jurídico do Procon-RJ, Silvio Romero, explica que farmácias e plataformas de venda online são **responsáveis por quaisquer prejuízos ao consumidor** relacionados à qualidade e garantia dos medicamentos adquiridos via internet. Enquanto a regulamentação da Anvisa não for finalizada, apenas farmácias autorizadas podem realizar essa venda por plataformas digitais.

Romero aconselha que, quando a venda de remédios por plataformas digitais for regulamentada, os consumidores devem verificar o preço, desconfiando de ofertas muito abaixo do valor de mercado. É fundamental guardar todos os documentos da compra, como comprovante e nota fiscal, para facilitar reclamações em caso de problemas. A venda de produtos com validade vencida ou não autorizados é uma infração ao Código de Defesa do Consumidor.

O consumidor digital e a confiança nas compras online

A pesquisa QualiBest e Abrafarma indica que 95% dos entrevistados já realizaram compras online e, em geral, avaliam a segurança do site antes de comprar, considerando a credibilidade do vendedor e a experiência de outros consumidores. Mesmo com essas precauções, 69% relataram experiências negativas em compras pela internet.

Quando a compra envolve medicamentos, a presença de um farmacêutico aumenta a confiança para 78% dos entrevistados. Comprar em uma plataforma conhecida também eleva a percepção de segurança para 52% dos consultados. Outros 56% expressaram dificuldade em saber a quem recorrer caso enfrentassem problemas com um medicamento adquirido nessas plataformas.

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