Sábado, 03 de Outubro de 2026 às 07:43
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Vice-presidente da Bolívia Acusa Governo Paz de Tramar Sua Prisão Ilegal em Meio a Escândalo de Narcotráfico e Influência Política

Vice-presidente boliviano teme por sua vida e denuncia plano para prendê-lo ilegalmente.

O vice-presidente da Bolívia, Edmand Lara, lançou um forte alerta nesta quinta-feira (2), acusando o governo do presidente Rodrigo Paz de orquestrar um processo forjado com o objetivo de justificar sua prisão. Lara, que se distanciou politicamente de Paz no início do mandato, expressou profundo temor por sua segurança e integridade física.

A denúncia surge em um contexto de crescente tensão política e escândalos envolvendo figuras de alto escalão no país. A acusação de Lara adiciona uma nova camada de complexidade às recentes prisões e investigações que abalam o cenário boliviano.

Em uma carta aberta divulgada em redes sociais, Lara detalhou as informações recebidas de fontes internas da Polícia Boliviana, que o alertaram sobre a suposta fabricação de um processo judicial contra ele. O vice-presidente acredita que o Coronel Marcelo Ferrufino estaria encarregado de elaborar as acusações para fundamentar uma prisão considerada ilegal.

Prisão do Procurador-Geral e Conexões com Narcotráfico

As declarações de Edmand Lara ocorrem apenas dois dias após a prisão do procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca. Mariaca foi acusado pelo governo Paz de ter ligações com o narcotráfico. A prisão do procurador-geral ganhou destaque internacional, especialmente após alegações de que ele estaria envolvido com o operador digital argentino Fernando Cerimedo.

Fernando Cerimedo atuou como assessor de presidentes na Bolívia e na Argentina, sendo ligado a grupos de direita na América Latina e a figuras como Donald Trump. A investigação sobre Cerimedo, que incluía tentativas de feminicídio e tráfico de drogas, estava sob responsabilidade de Mariaca, o que intensifica as suspeitas e questionamentos sobre a atuação do agora preso procurador-geral.

O vice-presidente Lara vinha expressando publicamente suas preocupações e exigindo explicações sobre a prisão de Mariaca. Ele ressaltou a necessidade de clareza quanto à legalidade dos procedimentos adotados pelas autoridades, buscando transparência em um caso que levanta sérias dúvidas.

Temores pela Vida e Intimidação Política

Atualmente em viagem à Espanha, Edmand Lara afirmou em sua carta aberta que teme não apenas por sua segurança física, mas também por sua própria vida. Ele denunciou ter recebido avisos de dentro do Poder Executivo boliviano, indicando tentativas de intimidação devido à sua postura em defesa da Constituição e da democracia.

Lara classificou as ações como uma tentativa de armação com motivação política, visando silenciá-lo e neutralizar sua oposição. A declaração aponta para um possível conflito de interesses e disputas de poder dentro da estrutura governamental boliviana.

Até o momento do fechamento desta reportagem, o governo de Rodrigo Paz não havia emitido qualquer pronunciamento oficial sobre as graves denúncias apresentadas pelo vice-presidente. A ausência de resposta oficial aumenta a incerteza e as especulações sobre os desdobramentos da crise.

Oposição e o Papel de Cerimedo no Governo

Alina Ribeiro, doutoranda em ciência política pela USP e especialista na política boliviana, comentou que Edmand Lara se posicionou na oposição ao governo Paz. Ela destacou que o vice-presidente vinha questionando o papel de Fernando Cerimedo dentro da administração pública.

Segundo Ribeiro, Lara apontou que Cerimedo não era apenas um assessor ou técnico, mas possuía um poder de influência considerável, chegando a dar ordens a ministros e participar de reuniões de gabinete. Essa percepção sugere que Cerimedo exercia uma influência desproporcional nas decisões governamentais.

A defesa de Cerimedo, por sua vez, nega as acusações, alegando que o operador digital é vítima de uma armação política. A controvérsia em torno de Cerimedo e suas conexões com figuras políticas e investigações de narcotráfico é um ponto central nas recentes tensões na Bolívia.

Repercussão Internacional e o “Escudo das Américas”

A prisão do procurador-geral Roger Mariaca também gerou reações internacionais. O governo dos Estados Unidos defendeu a ação, classificando-a como parte da iniciativa “Escudo das Américas”, liderada por Donald Trump com outros 14 países latino-americanos para combater o narcotráfico.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reafirmou o apoio inabalável dos Estados Unidos à operação do governo Paz contra Mariaca, citando o compromisso de proteger a governança democrática e a segurança regional contra redes de narcotráfico.

No entanto, analistas apontam que o “Escudo das Américas” pode ter interesses econômicos subjacentes, visando subordinar a América Latina à influência dos EUA e barrar parcerias com a China. Em nota conjunta, os países membros do “Escudo das Américas” também se manifestaram em defesa do governo boliviano, reiterando o compromisso com a defesa de governos democraticamente eleitos.

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