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Vapes Disfarçados: Tecnologia Invasiva Ameaça Jovens com Novas Formas de Dependência de Nicotina e Câncer no Brasil

Dia Mundial sem Tabaco expõe perigos ocultos dos cigarros eletrônicos, que se adaptam à tecnologia para atrair jovens.

Novas tecnologias estão transformando os cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes, em dispositivos quase imperceptíveis. Essa evolução representa um sério desafio para as políticas de controle do tabagismo no Brasil, aumentando a preocupação com o vício em nicotina entre os jovens e o risco de desenvolvimento de câncer.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca o tema “Desmascarando o apelo, combatendo a dependência de nicotina e tabaco” para o Dia Mundial sem Tabaco, ressaltando a necessidade de expor as táticas enganosas da indústria. No Brasil, apesar da proibição de comercialização pela Anvisa desde 2009, o uso de vapes cresce de forma alarmante, impulsionado pela facilidade de compra em redes sociais e no comércio informal.

Dados recentes da Receita Federal revelam a dimensão do problema, com a apreensão de mais de 238 mil unidades de cigarros eletrônicos apenas entre janeiro e fevereiro de 2024, uma média superior a 4 mil dispositivos por dia. Essa realidade, conforme alerta o diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, compromete décadas de avanços na luta contra o tabagismo no país.

A Tecnologia a Serviço do Vício: Dispositivos Camuflados e o Apelo à Juventude

Os cigarros eletrônicos modernos vêm em formatos cada vez mais discretos e atraentes. Muitos não possuem cheiro, outros utilizam aromatizantes que mascaram a nicotina, e alguns emitem apenas um vapor quase invisível. Essa dissimulação facilita o início do vício em uma geração mais jovem, que não percebe o perigo iminente.

A sofisticação dos disfarces tecnológicos é notável. Exemplos como os “vaporizer hoodies”, moletons com vaporizadores integrados ao tecido, onde o bocal fica escondido no cordão do capuz, permitem o uso discreto em locais públicos como metrôs e escolas. “De uma maneira totalmente articulada, e muito mal articulada do ponto de vista da ética, criam até casaco com bocal escondido para a pessoa fumar”, critica Maltoni.

Essa integração ao cotidiano e à tecnologia que os jovens já utilizam, como celulares e redes sociais, torna os vapes um acessório interativo. Alguns dispositivos possuem tela sensível ao toque, jogos e sistemas que “reagem” à ausência do uso, criando um ciclo de estímulo contínuo. “O vape deixa de ser apenas um dispositivo e passa a funcionar como um acessório interativo, integrado à rotina”, alerta Maltoni.

Aumento Alarmante do Uso entre Adolescentes e Riscos à Saúde

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 aponta um crescimento assustador na experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos. O índice saltou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024, quase dobrando o número de jovens expostos a esses produtos. “Isso é alarmante”, avalia o cirurgião oncológico.

Milena Maciel de Carvalho, consultora da Fundação do Câncer, explica que a exposição à nicotina na adolescência afeta o desenvolvimento cerebral, prejudicando atenção, aprendizagem e controle de impulsos, além de aumentar a vulnerabilidade à dependência ao longo da vida. “Esses dispositivos também podem expor os usuários a substâncias tóxicas, incluindo partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis e metais pesados”, acrescenta.

Movimento Vape Off e Medidas de Controle Inspiradas em Outros Países

Em resposta a esse cenário, a Fundação do Câncer fortaleceu seu Movimento Vape Off e lançou a campanha “Spoiler: ele não te ama”. A iniciativa utiliza um filme em formato de reportagem para alertar os jovens sobre a natureza abusiva e mentirosa da indústria do tabaco e dos cigarros eletrônicos.

Luiz Augusto Maltoni defende a adoção de medidas rigorosas no Brasil, inspiradas em exemplos internacionais. Ele cita o Reino Unido, que proibiu a venda de produtos de tabaco para nascidos após 1º de janeiro de 2009 e ampliou restrições à publicidade de vapes. “Eu acho que a gente tem que caminhar nesse sentido”, conclui o especialista, enfatizando a urgência de proteger as futuras gerações.

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