Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026 às 09:39
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UTIs no Brasil: Médicos Revelam Deficiências Críticas em Estrutura e Leitos, Pedem Ações Urgentes Além de Mais Vagas

UTIs no Brasil: Médicos Apontam Falhas Estruturais e Pedem Melhorias Urgentes Além da Ampliação de Leitos

Uma pesquisa inédita realizada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), trouxe à tona a realidade das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Brasil sob a ótica de quem as vivencia diariamente: os médicos. O estudo, que ouviu 2.338 profissionais que atuam na assistência de alta complexidade, revela uma **percepção significativamente mais negativa sobre a qualidade dos serviços nas UTIs públicas** em comparação com as privadas.

Os resultados do Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras indicam que, enquanto as unidades privadas frequentemente recebem notas positivas em diversos aspectos, as públicas lutam contra avaliações negativas em áreas cruciais. Essa disparidade ressalta a urgência de se olhar para a estruturação das UTIs de forma abrangente, indo além da simples adição de mais leitos.

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira enfatiza que os achados são um retrato fiel dos desafios enfrentados no cuidado de pacientes graves e um chamado para a ação de gestores e autoridades. A entidade pretende apresentar este diagnóstico a órgãos públicos e privados para defender a implementação das recomendações do inquérito, que impactarão diretamente os 43.901 leitos de UTI existentes no país.

Medicamentos e Leitos: Gargalos Críticos no SUS

Um dos pontos mais alarmantes revelados pela pesquisa é a **disponibilidade de medicamentos essenciais**. Apenas 22,7% dos médicos entrevistados consideram que a rede de UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS) possui oferta totalmente adequada desses insumos. No setor privado, esse índice salta para 57,7%.

Quando a análise se volta para as avaliações negativas, a situação se agrava. No SUS, 16,1% dos profissionais apontaram a oferta de medicamentos como inadequada ou totalmente inadequada. No setor privado, esse percentual é de apenas 3,8%. A mesma tendência é observada na suficiência de leitos, com 24,1% atribuindo nota máxima às UTIs públicas, contra 51,4% nas privadas.

Protocolos e Equipe Especializada: Diferenças Significativas

A qualidade do atendimento em UTIs também é fortemente influenciada pela existência e acesso a **protocolos de atendimento e conduta clínica**. No SUS, apenas 23,1% dos médicos avaliaram este item com nota máxima, enquanto no setor privado o índice alcança 40,2%. As notas mais baixas para protocolos de atendimento no SUS foram atribuídas por 27,4% dos médicos, contra 14,3% no setor privado.

A presença de uma **equipe multiprofissional especializada** é outro diferencial destacado. No setor privado, 39,2% dos médicos avaliaram positivamente este aspecto, comparado a 23% no setor público. As notas mínimas para a equipe especializada foram dadas por 24,8% no SUS e 13,8% no setor privado.

Paridade em Tarefas Administrativas, Divergência em Formação de Enfermeiros

A pesquisa identificou que a **percepção sobre a complexidade das tarefas administrativas e burocráticas** foi o único item em que a opinião dos médicos foi semelhante, independentemente de atuarem no setor público ou privado. Em todos os outros 12 aspectos avaliados, as disparidades foram evidentes.

No que diz respeito à formação específica de enfermeiros em terapia intensiva, a pesquisa aponta que 25,1% dos médicos consideram essa formação adequada no setor privado, enquanto no SUS esse número cai para 16,9%. As avaliações negativas sobre a presença de enfermeiros com formação especializada atingiram 37,2% no SUS, contra 26,4% nos serviços privados ou vinculados a planos de saúde.

Amib Propõe Ações Amplas para Melhorar UTIs

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira reforça que os resultados do inquérito são um **alerta para a necessidade de políticas públicas de saúde que priorizem a estruturação das UTIs em múltiplos aspectos**. A entidade pretende levar esses dados a gestores públicos e privados, bem como a órgãos fiscalizadores, visando a implementação de melhorias que garantam um atendimento de alta complexidade mais seguro e eficaz para todos os pacientes brasileiros.

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