Domingo, 18 de Outubro de 2026 às 22:54
ADVERTISEMENT

UNE: Estudantes Retomam Protagonismo em Luta pela Democracia e Educação Pública em Momento Decisivo no País

UNE: Estudantes Retomam Protagonismo em Luta pela Democracia e Educação Pública em Momento Decisivo no País

A preocupação com os rumos do país e os riscos para a democracia e a educação impulsionaram o movimento estudantil a voltar às ruas. Milhares de estudantes têm promovido atos em diversas cidades, defendendo a democracia, a educação pública e se posicionando sobre os candidatos e suas propostas eleitorais.

Em entrevista à Agência Brasil, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, ressaltou o protagonismo de universitários e secundaristas. Ela destacou a trajetória histórica dos estudantes brasileiros em momentos cruciais da política nacional, como a luta contra a ditadura militar e as mobilizações por eleições diretas.

Bianca Borges enfatizou que o momento atual envolve mais do que uma eleição, mas o próprio futuro do país. A entidade vê com apreensão a possibilidade de um governo autoritário, que seria contrário à educação e representaria um retrocesso significativo. A presidente da UNE também apontou os desafios enfrentados pelas universidades públicas, como o subfinanciamento e a necessidade de ampliar a assistência estudantil para alunos de baixa renda.

A Voz Estudantil em Defesa da Democracia e da Educação

Bianca Borges associou a defesa da democracia à valorização da universidade pública e à melhoria das condições de vida da juventude e da classe trabalhadora. Ela defende a importância da organização estudantil contínua, mesmo após o período eleitoral, como ferramenta para transformar reivindicações em direitos concretos.

“Os estudantes se levantam pelos direitos, pela educação, pela soberania e pela democracia brasileira diante dessa ameaça”, afirmou Borges. Ela lembrou que essa postura é intrínseca à vocação dos estudantes brasileiros, desde a fundação da UNE. Atos recentes, como a manifestação no Rio de Janeiro, evocaram a histórica Passeata dos 100 mil de 1968.

A presidente da UNE também comentou a decisão do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do TSE, que negou o pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para barrar publicações de dirigentes de entidades estudantis e sociais. Esse episódio demonstra a tentativa de silenciar vozes importantes na defesa da democracia.

Protagonismo Estudantil e Conquistas Históricas

O movimento de retomada das ruas começou logo após a divulgação do resultado do primeiro turno das eleições. Um ato inicial na UFF, que seria uma assembleia, atraiu mais de mil estudantes e expandiu-se para as ruas, dando início a um amplo movimento. O protagonismo é majoritariamente de universitários, organizados por seus centros acadêmicos e diretórios centrais.

No entanto, a mobilização dos estudantes secundaristas tem sido uma grata surpresa, com iniciativas como a convocação inicial de um ato no Rio de Janeiro feita por estudantes do Colégio Pedro II. Grêmios estudantis também têm se somado ao processo, fortalecendo a união de forças e a demonstração de poder nas ruas.

A UNE tem denunciado propostas como o “Future-se”, considerado um ataque ao caráter público da universidade. A entidade critica a deslegitimação de centros acadêmicos e a nomeação de reitores interventores como manifestações de uma agenda antidemocrática na educação.

Riscos para a Educação e a Democracia sob o Bolsonarismo

Bianca Borges expressou profunda preocupação com as propostas de Flávio Bolsonaro, especialmente em relação ao financiamento da educação e dos direitos sociais. Ela alertou para o risco de retrocessos no financiamento das universidades públicas, que já sofrem com subfinanciamento há mais de uma década.

A proposta de transferir a gestão das universidades federais do MEC para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) foi apontada como polêmica e prejudicial. Borges argumenta que essa medida, com orçamento significativamente inferior, visa aproximar as universidades do setor produtivo de forma a atender exclusivamente aos interesses do mercado, algo que a UNE rejeita.

A UNE define o fascismo no contexto atual como autoritarismo, caracterizado pela deslegitimação da organização popular, desmonte da participação social e criminalização da organização política estudantil. O incentivo à violência política, que pode escalar para agressões físicas, e ameaças de incêndios criminosos a universidades são exemplos evidentes desse espírito antidemocrático.

O Apoio à Lula e a Luta Contínua

O apoio ao presidente Lula foi justificado pela UNE como uma forma de barrar o retorno do bolsonarismo ao poder, associado à violência política, ao ódio e à antidemocracia. A entidade acredita que a eleição de Lula representa a possibilidade de fortalecer a democracia e a soberania brasileira.

Borges ressaltou que, apesar das contradições, o governo Lula foi o que mais avançou na educação brasileira, especialmente no ensino superior, com ampliação de universidades e institutos federais. Sob um governo de Flávio Bolsonaro, a UNE teme a perda de legitimidade para protestar e reivindicar direitos.

A entidade defende a consolidação do Plano Nacional de Assistência Estudantil com orçamento robusto, mais investimentos nas universidades públicas e estaduais, e a efetivação do investimento de 10% do PIB na educação pública. A fiscalização do ensino superior privado também é uma pauta importante.

A UNE busca engajar jovens insatisfeitos com a política institucional, mostrando que a luta coletiva é o caminho para efetivar direitos. A entidade destaca conquistas como o fim da escala 6×1 e programas como o Pé-de-Meia como legados de governos que apostaram na educação e na juventude. A mobilização estudantil visa garantir a continuidade dessas conquistas e a defesa de um Brasil democrático e soberano.

Menu