Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026 às 21:35
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Sob pressão de Trump, Cuba comemora aprovação na ONU contra bloqueio, mas com menor apoio em 30 anos

Sob pressão de Trump, Cuba comemora aprovação na ONU contra bloqueio, mas com menor apoio em 30 anos

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou mais uma resolução contra o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. Apesar da vitória diplomática, o resultado deste ano registrou o menor número de votos favoráveis em três décadas, refletindo a intensa campanha de pressão liderada pelo governo de Donald Trump.

O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, celebrou a aprovação, que contou com 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções. Ele ressaltou que, mesmo em um cenário global desafiador, a comunidade internacional demonstrou apoio à ilha caribenha, classificando o resultado como uma “grande vitória” para o povo cubano.

Apesar da celebração, a queda no número de votos favoráveis, que já chegou a ultrapassar 190, indica um enfraquecimento do apoio internacional, influenciado diretamente pelas ações do governo americano. Conforme divulgado pelas fontes, a campanha de Trump visou convencer aliados a rejeitarem a resolução, resultando em um cenário onde apenas EUA e Israel votaram contra, e um número crescente de países optou pela abstenção.

O Custo Humano do Bloqueio e a Pressão Americana

O embaixador cubano, Victor Manuel Cairo Palomo, enfatizou o impacto devastador do bloqueio na vida dos cidadãos cubanos. Ele mencionou que, segundo informações divulgadas, mais de 1,5 mil crianças morreram em Cuba devido à falta de acesso a medicamentos essenciais e à escassez de combustível para manter equipamentos médicos vitais, como incubadoras.

Este cenário se agravou especialmente entre 2025 e 2026, período em que o bloqueio foi endurecido pelo governo Trump. Durante esse tempo, a mortalidade infantil em Cuba chegou a dobrar, passando de 4,4 mortes por mil nascimentos para 9,9, um dado alarmante que evidencia as consequências diretas da política econômica dos EUA.

A Estratégia de Trump e o Isolamento de Cuba

A campanha de Donald Trump para influenciar a votação na ONU foi marcada por táticas de intimidação e pressão sobre países aliados. A resolução contra o bloqueio, que é uma questão de soberania para Cuba, enfrentou resistência direta dos Estados Unidos, que buscaram isolar a ilha no cenário internacional.

Desta vez, 17 países votaram contra a condenação do bloqueio, um número significativamente maior do que em anos anteriores. Entre os que votaram contra estão Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai, além de aliados tradicionais dos EUA como Israel. A lista de 17 países que votaram contra a proposta inclui também:

  • Argentina
  • Bósnia
  • Colômbia
  • Costa Rica
  • Equador
  • Hungria
  • Israel
  • Lituânia
  • Marrocos
  • Macedônia do Norte
  • Paraguai
  • Eslovênia
  • Trindade e Tobago
  • Ucrânia
  • Emirados Árabes Unidos
  • República Tcheca
  • EUA

A mudança de postura de nações latino-americanas, como Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru, que historicamente votavam a favor de Cuba e agora se abstiveram, também é um ponto de atenção, indicando uma possível reorientação diplomática sob a influência americana.

Cuba Resiste e Busca Alternativas Econômicas

Diante do endurecimento das sanções, Cuba tem buscado estratégias para mitigar os efeitos do bloqueio. O embaixador Victor Manuel Cairo Palomo destacou que o país está investindo em uma reforma econômica e na diversificação de suas parcerias, com foco especial na transição para energia solar, com apoio da China, e no aumento da produção de alimentos.

O diplomata criticou as sanções secundárias, que punem empresas estrangeiras que negociam com Cuba, elevando os custos de produtos importados e dificultando a logística. Ele citou o caso de mais de 7 mil contêineres parados em portos pelo mundo, devido ao medo das transportadoras de sofrerem represálias dos EUA.

A política de asfixia econômica imposta pelos EUA tem afetado setores vitais como o turismo e o transporte, com a redução de voos internacionais e a saída de empresas estrangeiras. Mesmo empresas de cartões como a Visa foram impactadas. Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA impôs novas sanções contra empresas de “tecnologias sensíveis” ligadas a Cuba, intensificando a pressão sobre a ilha caribenha.

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