Sob pressão de Trump, Cuba comemora aprovação na ONU contra bloqueio, mas com menor apoio em 30 anos
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou mais uma resolução contra o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. Apesar da vitória diplomática, o resultado deste ano registrou o menor número de votos favoráveis em três décadas, refletindo a intensa campanha de pressão liderada pelo governo de Donald Trump.
O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, celebrou a aprovação, que contou com 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções. Ele ressaltou que, mesmo em um cenário global desafiador, a comunidade internacional demonstrou apoio à ilha caribenha, classificando o resultado como uma “grande vitória” para o povo cubano.
Apesar da celebração, a queda no número de votos favoráveis, que já chegou a ultrapassar 190, indica um enfraquecimento do apoio internacional, influenciado diretamente pelas ações do governo americano. Conforme divulgado pelas fontes, a campanha de Trump visou convencer aliados a rejeitarem a resolução, resultando em um cenário onde apenas EUA e Israel votaram contra, e um número crescente de países optou pela abstenção.
O Custo Humano do Bloqueio e a Pressão Americana
O embaixador cubano, Victor Manuel Cairo Palomo, enfatizou o impacto devastador do bloqueio na vida dos cidadãos cubanos. Ele mencionou que, segundo informações divulgadas, mais de 1,5 mil crianças morreram em Cuba devido à falta de acesso a medicamentos essenciais e à escassez de combustível para manter equipamentos médicos vitais, como incubadoras.
Este cenário se agravou especialmente entre 2025 e 2026, período em que o bloqueio foi endurecido pelo governo Trump. Durante esse tempo, a mortalidade infantil em Cuba chegou a dobrar, passando de 4,4 mortes por mil nascimentos para 9,9, um dado alarmante que evidencia as consequências diretas da política econômica dos EUA.
A Estratégia de Trump e o Isolamento de Cuba
A campanha de Donald Trump para influenciar a votação na ONU foi marcada por táticas de intimidação e pressão sobre países aliados. A resolução contra o bloqueio, que é uma questão de soberania para Cuba, enfrentou resistência direta dos Estados Unidos, que buscaram isolar a ilha no cenário internacional.
Desta vez, 17 países votaram contra a condenação do bloqueio, um número significativamente maior do que em anos anteriores. Entre os que votaram contra estão Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai, além de aliados tradicionais dos EUA como Israel. A lista de 17 países que votaram contra a proposta inclui também:
- Argentina
- Bósnia
- Colômbia
- Costa Rica
- Equador
- Hungria
- Israel
- Lituânia
- Marrocos
- Macedônia do Norte
- Paraguai
- Eslovênia
- Trindade e Tobago
- Ucrânia
- Emirados Árabes Unidos
- República Tcheca
- EUA
A mudança de postura de nações latino-americanas, como Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru, que historicamente votavam a favor de Cuba e agora se abstiveram, também é um ponto de atenção, indicando uma possível reorientação diplomática sob a influência americana.
Cuba Resiste e Busca Alternativas Econômicas
Diante do endurecimento das sanções, Cuba tem buscado estratégias para mitigar os efeitos do bloqueio. O embaixador Victor Manuel Cairo Palomo destacou que o país está investindo em uma reforma econômica e na diversificação de suas parcerias, com foco especial na transição para energia solar, com apoio da China, e no aumento da produção de alimentos.
O diplomata criticou as sanções secundárias, que punem empresas estrangeiras que negociam com Cuba, elevando os custos de produtos importados e dificultando a logística. Ele citou o caso de mais de 7 mil contêineres parados em portos pelo mundo, devido ao medo das transportadoras de sofrerem represálias dos EUA.
A política de asfixia econômica imposta pelos EUA tem afetado setores vitais como o turismo e o transporte, com a redução de voos internacionais e a saída de empresas estrangeiras. Mesmo empresas de cartões como a Visa foram impactadas. Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA impôs novas sanções contra empresas de “tecnologias sensíveis” ligadas a Cuba, intensificando a pressão sobre a ilha caribenha.
