Rio de Janeiro se junta a metrópoles globais em programa inovador “Distritos Lixo Zero” para gestão de resíduos e combate ao metano
A cidade do Rio de Janeiro foi selecionada como uma das sete cidades-piloto em todo o mundo para o programa global “Distritos Lixo Zero”. Esta iniciativa ambiciosa visa revolucionar a gestão de resíduos, com foco especial na redução das emissões de metano, um potente gás de efeito estufa. A escolha do Rio de Janeiro é um reconhecimento de seu potencial em liderar mudanças significativas na área ambiental.
O programa, organizado pela Fundação Zero Desperdício e com o apoio crucial da rede internacional Global Methane Hub (GMH), busca criar modelos replicáveis de governança, mensuração e financiamento para a gestão de resíduos. O objetivo principal é desviar uma quantidade expressiva de resíduos dos aterros sanitários, promovendo um futuro mais sustentável.
A participação do Rio de Janeiro neste projeto global reforça a sua posição como um ator importante na agenda climática internacional. Conforme informações divulgadas, o Rio de Janeiro é a cidade brasileira que mais emite gases de efeito estufa no setor de resíduos, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima. A adesão ao programa representa um passo concreto para reverter esse cenário.
Cidades-piloto e metas ambiciosas rumo à sustentabilidade
Além do Rio de Janeiro, outras seis cidades foram escolhidas para integrar o programa piloto: George Town, Penang e Kuala Lumpur, na Malásia; Santiago e Patagônia, no Chile; e Kisumu, no Quênia. Juntas, essas metrópoles enfrentarão o desafio de implementar estratégias eficazes para a gestão de resíduos, especialmente os orgânicos.
As metas estabelecidas pelo programa são claras e desafiadoras: desviar pelo menos 70% dos resíduos dos aterros sanitários até 2030 e alcançar a marca de 90% até 2040. Essa redução drástica não apenas diminui a emissão de metano, mas também contribui para a melhoria da qualidade do ar e para a saúde pública.
Benefícios ambientais e econômicos impulsionados pelo “Lixo Zero”
Marcelo Mena, diretor executivo do Global Methane Hub (GMH), destacou os múltiplos benefícios da iniciativa. “Os Distritos Lixo Zero oferecem às cidades uma maneira prática de proporcionar esses benefícios à saúde, ao mesmo tempo que criam empregos, recuperam recursos valiosos e desenvolvem soluções que podem ser ampliadas”, afirmou Mena. Os modelos desenvolvidos serão avaliados e compartilhados globalmente.
A implementação de práticas de gestão de resíduos mais eficientes pode gerar um ciclo virtuoso. A redução do desperdício de alimentos, por exemplo, não só evita a geração de metano em aterros, mas também fortalece a segurança alimentar, como ressaltou Adalberto Maluf, secretário nacional de Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Ele vê a participação do Rio como um elemento central para a implementação de ações climáticas.
Tecnologia e inovação no combate às emissões de metano
Um exemplo prático das inovações em andamento é o monitoramento mensal de plumas de metano por satélite, iniciado em 2023 no Centro de Tratamento de Resíduos da Comlurb (CTR-Rio), localizado em Seropédica, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Essa tecnologia tem sido fundamental para identificar pontos de intervenção e otimizar a redução das emissões.
Em colaboração com a rede GMH e a Comlurb, o CTR-Rio incorporou quase 500 poços à rede de captação de biogás em 2025. Essa expansão aumentou em 7,35% o aproveitamento do metano para fins energéticos em comparação com 2024. Henrique Bezerra, diretor regional do GMH para a América Latina, considera o CTR-Rio um modelo replicável em aterros sanitários mundialmente, visando comunidades mais saudáveis e sustentáveis.
