Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026 às 08:06
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Redescobrindo Tesouros: Plantas Raras Consideradas Extintas Há Mais de 30 Anos São Encontradas em Minas Gerais

Descoberta Surpreendente no Quadrilátero Ferrífero: Plantas Raras Consideradas Extintas Ressurgem Após Mais de 30 Anos Longe dos Olhos da Ciência

Uma notícia animadora para a ciência e a conservação ambiental ecoa de Minas Gerais. Um grupo de pesquisadores, atuando na região do Quadrilátero Ferrífero, anunciou a redescoberta de espécies de plantas que se acreditava terem desaparecido da natureza há mais de três décadas. Esses achados, frutos de expedições em áreas protegidas, reacendem o debate sobre a fragilidade e a resiliência da biodiversidade brasileira.

As expedições fazem parte do Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, uma colaboração entre universidades, instituições de pesquisa e a Vale, dentro da Rede Propagar. O objetivo principal era justamente revisitar locais onde essas espécies ocorriam e procurar por sinais de vida, mesmo após longos períodos sem avistamentos.

“Algumas plantas que a gente tinha na nossa lista de espécies-alvo não eram vistas há mais de 100 anos e eram consideradas potencialmente extintas”, explicou Laís Zeferino, doutora em biologia vegetal e pesquisadora associada da UFMG. A redescoberta dessas espécies, como a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, popularmente conhecidas como “sempre-vivas” ou “chuveirinho”, reforça a importância da persistência na pesquisa e da preservação de habitats.

A Ressurgência das “Sempre-Vivas” em Solo Mineiro

As espécies Paepalanthus magalhaesii e Coracoralina amoena, típicas das paisagens das serras de Minas Gerais, são conhecidas por suas flores que mantêm a aparência mesmo após secas. A Paepalanthus magalhaesii, que se assemelha a um minúsculo pompom entre as rochas, cresce rente ao chão e é exclusiva do Quadrilátero Ferrífero. Por décadas, sua existência na natureza foi questionada, mas agora ela foi encontrada em áreas protegidas como Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca.

A Coracoralina amoena também é endêmica da região e vive em ambientes muito específicos, como áreas rochosas com solo raso, sob sol intenso e com escassez de água. Sua aparição na literatura científica já havia sido marcada como “possivelmente desaparecida da natureza”, o que torna sua redescoberta ainda mais significativa para a comunidade científica.

A Importância Ecológica e Biotecnológica das Espécies Redescobertas

Essas plantas são particularmente importantes por serem endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, adaptadas a um solo ferruginoso único. “São plantas que conseguem sobreviver em condições de temperatura e de estresse relacionado a estresse hídrico e estresse térmico, condições a que outras plantas não conseguiriam sobreviver”, afirmou Patrícia Favoreto Renci, engenheira agrônoma e gerente de propagação da Rede Propagar.

Além de sua resiliência, elas possuem grande valor para a biodiversidade e podem ser exploradas em áreas como genética, biotecnologia e farmacologia. Sua preservação é crucial para a manutenção dos ecossistemas locais e para a compreensão da evolução da vida em ambientes extremos.

Um Chamado à Ação para a Conservação da Biodiversidade Brasileira

A descoberta dessas plantas ressalta o quão pouco ainda sabemos sobre a biodiversidade brasileira. “E isso mostra que a gente ainda tem muito para conhecer sobre a nossa biodiversidade e que ainda não encontramos tudo e não vimos tudo”, disse Laís Zeferino. A expectativa é que novos trabalhos de campo revelem ainda mais espécies desconhecidas ou redescobertas.

Todo o material coletado está sendo enviado para laboratórios da Rede Propagar para sequenciamento genético e reprodução. O objetivo é desenvolver métodos para propagar essas plantas e, futuramente, reintroduzi-las na natureza, ampliando sua distribuição e garantindo sua sobrevivência. A conservação do ecossistema do Quadrilátero Ferrífero, que abriga mais de 30% de espécies endêmicas, é um desafio diante das pressões antropogênicas e das mudanças climáticas.

O Futuro da Conservação no Quadrilátero Ferrífero

A Rede Propagar trabalha na identificação, reprodução e reintrodução dessas espécies raras. Ana Cristina Amoroso, especialista em campo rupestre da Vale, explicou que os exemplares coletados passarão por estudos genômicos e pela produção de mudas. “A ideia é que a gente desenvolver métodos de propagar essas plantas, já que a maioria delas tem pouquíssimo conhecimento gerado”, afirmou.

A reintrodução dessas plantas é vista como fundamental para a cadeia ecológica. “Com a reintrodução dessa planta, que praticamente estava em um caminho de cada vez maior ameaça e raridade, você pode ampliar a sua ocorrência e distribuição. E isso tem todo um significado para a cadeia ecológica”, explicou Ana Cristina. O maior desafio, segundo ela, é recriar as condições ambientais ideais para o desenvolvimento dessas espécies em áreas recuperadas.

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