O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um novo programa de habitação com foco na classe média, durante o evento Incorpora 2025, realizado em São Paulo. A iniciativa visa atender famílias com renda superior a R$ 12 mil, que, segundo o presidente, encontram dificuldades para acessar o mercado imobiliário.
Lula expressou que sempre teve a preocupação de atender a essa faixa da população, que não se enquadra nos programas habitacionais destinados a famílias de baixa renda. “Um trabalhador metalúrgico, um bancário, um químico, um gráfico, um trabalhador da Caixa Econômica, um professor… Essas pessoas não têm direito a comprar casa, porque elas nem são pobres, não estão na faixa 1, nem na faixa 2”, afirmou o presidente.
O programa tem como objetivo dar àqueles que ainda não têm, o direito de ter a sua casa. Segundo o presidente, a classe média deve ter a liberdade de escolher onde morar. “Ele não quer uma casa de 40 metros quadrados, ele quer uma casa de 80 metros quadrados. Ele não quer morar no Cafundó do Judas, ele quer morar no lugar mais próximo onde ele está habituado a morar”.
O novo modelo de crédito imobiliário do país reestrutura o uso da poupança para ampliar a oferta de crédito.
A reestruturação do crédito imobiliário prevê o fim dos depósitos compulsórios no Banco Central (BC), utilizando o total dos recursos depositados na caderneta de poupança como referência para o setor habitacional. Adicionalmente, o valor máximo do imóvel financiado no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) será elevado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.
A expectativa é que a Caixa Econômica Federal financie 80 mil novas moradias até 2026 com as mudanças implementadas. Atualmente, a maior parte dos recursos captados pelos bancos da poupança é destinada ao crédito imobiliário, enquanto uma parte menor fica retida no Banco Central.
A reforma também visa modernizar as regras do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), maximizando a poupança como fonte de financiamento. O governo argumenta que, com o novo modelo, haverá maior competição e instituições que não captam poupança poderão conceder crédito habitacional em condições equivalentes às demais.
A transição para o novo modelo será gradual, com início ainda este ano e plena vigência a partir de janeiro de 2027.
