Domingo, 27 de Setembro de 2026 às 12:37
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Polifarmácia em Idosos: Alerta Médico Revela Riscos do Uso Excessivo de Remédios para Envelhecer Bem

Uso simultâneo de medicamentos exige alerta e revisão médica constantes em idosos

Envelhecer com saúde e qualidade de vida é o desejo de muitos, mas um fenômeno chamado polifarmácia, que é o uso de cinco ou mais medicamentos ao mesmo tempo, pode representar um risco significativo. Essa prática, comum em quem lida com múltiplas doenças crônicas, exige atenção redobrada.

Segundo Egídio Dorea, médico e pesquisador, cerca de 39% a 45% dos idosos no mundo se enquadram nesse perfil. No Brasil, os números variam entre 18% e 57%, sendo mais frequente em mulheres, pessoas com diversas comorbidades e indivíduos acima de 75 anos.

Embora muitos medicamentos sejam realmente necessários, o excesso pode trazer consequências graves. O uso indiscriminado está associado a reações adversas, interações perigosas entre substâncias, maior incidência de quedas, episódios de confusão mental e até mesmo hospitalizações, conforme alerta o especialista. A informação é do médico e pesquisador Egídio Dorea, coordenador do programa USP 60+.

Os Perigos da Polifarmácia e a Iatrogenia

Um dos maiores riscos da polifarmácia é o aumento da iatrogenia, que se refere a danos não intencionais causados pelo próprio tratamento médico. Dorea aponta o uso prolongado e inadequado de medicamentos como benzodiazepínicos, anti-inflamatórios e inibidores de prótons sem uma indicação clara como exemplos preocupantes.

Esses efeitos colaterais podem criar um ciclo vicioso, onde um novo medicamento é prescrito para tratar os efeitos de outro, complicando ainda mais o quadro do paciente. A cascata medicamentosa é um termo usado para descrever essa situação perigosa.

A Importância da Revisão Médica e do Uso Racional

Para combater os efeitos negativos da polifarmácia, o caminho é o uso racional de medicamentos e a desprescrição. O médico Egídio Dorea enfatiza que idosos não devem interromper ou alterar a medicação por conta própria.

É fundamental que o paciente se reúna com seu médico para revisar a lista de medicamentos periodicamente. O objetivo principal dessa revisão é identificar quais medicamentos podem ter suas doses reduzidas ou serem suspensos, especialmente aqueles que não trazem mais benefícios significativos e podem causar mais mal do que bem.

Perguntas Essenciais para Evitar Riscos

O especialista Egídio Dorea recomenda que os pacientes façam perguntas cruciais ao seu médico. Questionar se um determinado remédio ainda é necessário e se existem alternativas não medicamentosas para tratar a condição pode fazer toda a diferença.

Essas perguntas são vitais para evitar a já mencionada cascata medicamentosa, onde um efeito colateral de um medicamento leva à prescrição de outro. Envelhecer com saúde não se resume a tomar mais remédios, mas sim a utilizar apenas o necessário, de forma inteligente e segura, sempre sob orientação médica.

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