Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026 às 21:38
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Oposição Israelense em Xeque: Árabes São Chave para Derrubar Netanyahu, Mas Divisões Internas Criam Impasse

Oposição Israelense em Xeque: Árabes São Chave para Derrubar Netanyahu, Mas Divisões Internas Criam Impasse

A política israelense vive um momento de grande tensão após a divulgação dos resultados definitivos da eleição para o Knesset, o parlamento do país. A oposição a Benjamin Netanyahu obteve um número expressivo de cadeiras, mas a formação de um governo está intrinsecamente ligada a partidos árabes, um cenário que gera profundas divisões internas e favorece a permanência do atual primeiro-ministro no poder.

O impasse político se instala em meio a promessas contraditórias da oposição, que se comprometeu a não formar governo com Netanyahu e, ao mesmo tempo, enfrenta resistência de partidos judeus em aliar-se com representantes palestinos-israelenses. Essa complexa teia de alianças e desconfianças abre caminho para que Netanyahu se mantenha como líder de facto, aguardando um acordo que parece cada vez mais distante.

A situação é agravada por alegações de fraude eleitoral por parte de Netanyahu e pela possibilidade de novas tensões militares serem usadas como estratégia política. A dependência da oposição dos votos árabes para alcançar a maioria necessária de 61 cadeiras no Knesset, somada à relutância de alguns partidos em formar coalizões com eles, configura um cenário de incertezas.

Divisões Profundas e o Peso do Voto Árabe

O partido Likud, de Benjamin Netanyahu, obteve a maior fatia de votos, conquistando 27 cadeiras. No entanto, a coalizão liderada por ele somou apenas 53 assentos, ficando oito a menos do que o necessário para formar governo. Por outro lado, a oposição, em um bloco unido, alcançou 67 cadeiras. Deste total, 19 assentos pertencem aos partidos árabes Raam e Lista Conjunta, que representam a comunidade palestina-israelense, cerca de 21% da população do país.

O cerne do problema reside no fato de que os partidos judeus de oposição, como o Yashar (21 cadeiras) e o B’Yachad (12 cadeiras), têm manifestado relutância em formar um governo que inclua os partidos árabes. Essa postura, segundo o pesquisador Shajar Goldwaser, pode ser interpretada como um reflexo de concepções consideradas “racistas” em parte da política israelense.

“Eles não querem, por exemplo, ter um ministro da educação palestino. Formar um governo com esses partidos seria uma vitória para os palestinos, que teriam a sensação de que o voto importa. Esse é o medo dos israelenses: que os palestinos achem que eles têm poder e podem influenciar a política israelense”, explicou Goldwaser à Agência Brasil.

Impasse Favorece Netanyahu e Possíveis Cenários de Tensão

O impasse político favorece diretamente Benjamin Netanyahu, que permanece no poder enquanto não houver um acordo para a formação de uma maioria governamental. “Alguma promessa vai ter que ser descumprida para sair desse imbróglio porque a oposição prometeu duas coisas: que não iria fazer governo com Netanyahu e que não iria fazer governo com os partidos árabes”, comentou Goldwaser.

Diante desse cenário, a emissora N12 News de Israel reportou que o partido Yisrael Beytenu, liderado por Avigdor Liberman, estaria propondo um governo de “unidade nacional” com Netanyahu, justamente para evitar a formação de uma coalizão com os partidos palestinos-israelenses. Com sete cadeiras conquistadas, o partido de Liberman, ao se unir a Netanyahu, deixaria o atual primeiro-ministro a apenas uma cadeira de alcançar a maioria.

Netanyahu, por sua vez, tem alegado, sem apresentar provas, que a Turquia e o Catar teriam influenciado na votação dos palestinos-israelenses, que registraram uma expressiva participação de mais de 80% nas urnas. Por conta disso, o primeiro-ministro acusa o pleito de “fraude” e reforça que é “proibido formar governo com eles”, referindo-se aos partidos palestinos.

Acusações de Deslegitimação e a Sombra da Guerra

Em resposta às alegações de fraude, o líder do partido de oposição mais votado, Gadi Eisenkot, acusou o Likud e Netanyahu de orquestrarem uma campanha para deslegitimar os resultados eleitorais. “Eles fazem isso porque perderam. Carecem de maioria”, afirmou Eisenkot, que também reiterou a promessa de criar uma comissão para investigar o ataque do Hamas em 7 de outubro, acusando Netanyahu de ter tido conhecimento prévio do plano e de não ter agido para impedi-lo.

O especialista em política israelense Shajar Goldwaser também levantou a possibilidade, divulgada pela imprensa israelense, de Netanyahu iniciar uma nova guerra contra o Irã como estratégia para permanecer no poder. “Uma guerra contra o Irã agora é muito propícia a formar um governo de união nacional. Netanyahu já fez isso no passado. Ele é famoso por fazer guerras para interesses eleitorais”, finalizou o pesquisador.

Contexto Eleitoral e o Impacto do Conflito em Gaza

As eleições ocorreram em um contexto marcado pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.200 pessoas e no sequestro de cerca de 200 reféns. A resposta de Israel em Gaza levou a uma operação militar de larga escala, com destruição significativa da infraestrutura civil e mais de 75 mil mortes, em uma ação apontada por especialistas como genocídio.

Nos últimos três anos, Israel também se envolveu em conflitos no Líbano, ataques na Síria e uma agressão contra o Irã em parceria com os Estados Unidos. Na Cisjordânia, a política de assentamentos ilegais ganhou força, intensificando as tensões na região e influenciando o cenário político interno.

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