Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026 às 15:41
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ONU aprova declaração histórica por mais cooperação global contra pandemias, mas acordo de vacinas ainda trava negociações

ONU busca união global para combater futuras pandemias, mas desafios persistem em acordo de vacinas

A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) deu um passo importante na última segunda-feira (12) ao aprovar uma declaração política que clama por maior cooperação internacional no enfrentamento de pandemias. O documento, embora sem força de lei vinculante, foi visto como um avanço pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A aprovação ocorreu após a declaração ter sido adiada em setembro, devido a objeções de países como os Estados Unidos. A votação final contou com 153 votos a favor e apenas três contrários, mostrando um amplo consenso global sobre a necessidade de preparo e resposta conjuntas.

Entretanto, um ponto crucial das negociações, o anexo do Acordo de Pandemias da OMS, que trata do compartilhamento de amostras, dados genéticos, vacinas e tratamentos, ainda enfrenta impasses significativos. As discussões, que envolvem interesses de países em desenvolvimento e nações de alta renda, devem ser retomadas em maio de 2024, durante a Assembleia Mundial da Saúde. Conforme informação divulgada pela ONU, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ressaltou a urgência em finalizar estas negociações para garantir um acesso mais equitativo a recursos essenciais em futuras crises sanitárias.

Brasil e os desafios da cooperação global em saúde

O Brasil, como membro da ONU, está chamado a aderir a este apelo por maior colaboração. O país ainda lida com as consequências da pandemia de COVID-19, período marcado por erros na condução da crise, como apontado por especialistas e pela CPI da Pandemia. O negacionismo e os conflitos entre o governo federal e autoridades sanitárias, segundo relatos, fragilizaram as estratégias de prevenção.

A escassez de insumos para testes e as limitações laboratoriais no início da pandemia dificultaram a identificação de cadeias de transmissão e a implementação de medidas precoces. A CPI da Pandemia também investigou a divulgação de tratamentos sem eficácia comprovada e falhas na gestão federal, incluindo atrasos e problemas na negociação de vacinas.

O que diz a declaração política aprovada pela ONU

A declaração política aprovada pela ONU prioriza o aprimoramento dos sistemas de monitoramento de doenças, a expansão da capacidade de produção local e regional de insumos médicos, e o investimento em pesquisa e desenvolvimento. A garantia de financiamento sustentável para a preparação e resposta a pandemias também é um ponto central.

A conclusão das negociações sobre o anexo do Acordo de Pandemias é vista como fundamental para assegurar que a OMS possa coordenar uma resposta global mais equitativa e eficaz contra ameaças futuras. A meta é evitar que novas emergências sanitárias se transformem em crises de proporções devastadoras, como ocorreu com a COVID-19.

O sistema PABS e o acesso equitativo a tratamentos

O anexo em discussão prevê a criação do Sistema de Acesso a Patógenos e Compartilhamento de Benefícios (PABS). Este sistema tem como objetivo garantir que farmacêuticas participantes ofereçam à OMS acesso rápido a, pelo menos, 20% de sua produção em tempo real no caso de uma nova pandemia. Inclui vacinas, terapias e diagnósticos seguros e eficazes.

A distribuição desses produtos seria baseada no risco e nas necessidades de saúde pública, com um foco especial nos países em desenvolvimento, buscando um acesso mais justo e democrático aos recursos que podem salvar vidas em momentos de crise sanitária global.

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