Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026 às 22:06
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Ondas de Calor e Poluição Aumentam Risco de AVC em Idosos em SP, Alerta USP; Veja Medidas de Proteção

USP revela o perigo das ondas de calor e poluição para idosos: Aumento do risco de AVC em São Paulo

Um estudo inovador conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) trouxe à tona uma preocupação crescente para a saúde pública: a associação direta entre ondas de calor, poluição do ar e o aumento do risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) agudo em idosos na capital paulista.

A pesquisa, que definiu onda de calor como pelo menos dois dias consecutivos com temperaturas máximas de 33,1°C ou superiores, aponta que a exposição prolongada a essas condições eleva significativamente a probabilidade de um AVC em pessoas com 65 anos ou mais.

O impacto se torna ainda mais alarmante quando a alta temperatura se une à poluição atmosférica por material particulado fino (PM10), componentes comuns no ar de São Paulo. Os dados preliminares foram apresentados pela professora Alessandra Carvalho Goulart, da FM-USP, durante a FAPESP Week Países Baixos.

O estudo revela a combinação mortal: calor e poluição

A pesquisa utilizou dados do Estudo de Mortalidade e Morbidade do Acidente Vascular Cerebral (EMMA), também da USP, analisando 769 casos de AVC agudo entre 2006 e 2018. O objetivo foi quantificar o impacto agudo do estresse térmico na população idosa.

A análise estatística demonstrou que, ao considerar apenas o impacto térmico, o risco de AVC aumentava. Contudo, ao incorporar a interação com a concentração de PM10, a razão de chances para um AVC por dia adicional de onda de calor subiu expressivamente para 40,4%.

“Os dados preliminares do estudo EMMA evidenciam que as mudanças climáticas e a poluição atmosférica não são apenas ameaças ambientais distantes, mas estressores urbanos imediatos que afetam a saúde do cérebro e deflagram eventos vasculares agudos na população idosa”, ressalta Goulart.

Como o calor e a poluição afetam o corpo

Fisiologicamente, o calor intenso provoca desidratação, tornando o sangue mais espesso e viscoso. Além disso, altera a termorregulação do corpo e a função cardiovascular, impactando o fluxo e a pressão sanguínea, o que pode desencadear um AVC.

A poluição por material particulado fino (PM10) agrava esse quadro. Essas partículas microscópicas, originadas principalmente da queima de combustíveis veiculares e poeira, são facilmente inaláveis e podem causar inflamação e estresse oxidativo no sistema circulatório e cerebral.

Proteção individual: cuidados cardiovasculares e exercício físico como escudos cerebrais

Paralelamente, o estudo ELSA-Brasil, que acompanhou 1.285 participantes, investigou como hábitos de vida saudáveis protegem contra danos cerebrais. A métrica “Life’s Essential 8”, que avalia oito fatores de saúde cardiovascular, mostrou que cada aumento de 10 pontos nesse escore está associado a uma redução de 14% no risco de desenvolver lesões graves em pequenos vasos cerebrais.

A prática regular de exercícios físicos também se mostrou um poderoso aliado. Em uma amostra de 1.200 voluntários, níveis moderados a elevados de atividade física reduziram o risco de marcadores de Doença de Pequenos Vasos Cerebrais (DPVC) em 21% a 22%.

“Alémdiminuir as lesões na microcirculação cerebral, constatamos que a movimentação corporal preserva o volume do córtex entorrinal, uma estrutura localizada no lobo temporal e fundamental para o processamento da memória e a navegação espacial”, explica Goulart.

Estratégias duplas para proteger a saúde cerebral em cidades que envelhecem

Os achados do EMMA e do ELSA-Brasil reforçam a necessidade de uma estratégia dupla para garantir a saúde cerebral da população idosa em metrópoles. Isso inclui o incentivo a cuidados cardiovasculares individuais e ações efetivas de adaptação climática urbana.

A pesquisadora alerta que o envelhecimento demográfico acelerado na América Latina, com São Paulo registrando um aumento de mais de 50% na população idosa entre 2010 e 2022, torna essas ações ainda mais urgentes.

A alta prevalência de lesões vasculares cerebrais observada nos estudos sugere uma mudança no perfil neurodegenerativo, com eventos vasculares superando casos de Alzheimer em algumas amostragens. Isso reforça a importância de priorizar o cuidado cardiovascular como principal linha de defesa contra o declínio cognitivo na velhice.

Pesquisa avança no tratamento de Alzheimer com lítio

Em outra frente de pesquisa, cientistas da USP investigam há mais de duas décadas os efeitos neuroprotetores do lítio no tratamento da doença de Alzheimer. Ensaios clínicos com doses subterapêuticas (muito baixas) demonstraram capacidade de atenuar e estabilizar a perda de memória e raciocínio em pacientes com comprometimento cognitivo leve.

“Estudamos o lítio há mais de 20 anos e os estudos clínicos mostraram um potencial de atenuar e estabilizar as perdas cognitivas, sugerindo a modificação do curso da doença”, afirma o professor Orestes Forlenza, líder do grupo.

Pesquisas em modelos animais também indicam que o lítio inibe processos que desregulam neurônios, reduz o acúmulo de placas tóxicas e protege o “esqueleto” das células cerebrais, além de melhorar sintomas de ansiedade e depressão nos animais.

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