Quarta-feira, 30 de Setembro de 2026 às 09:17
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OCDE Revela: 9% dos Professores Brasileiros Sem Qualificação Completa, Desafio Persiste na Educação Básica

OCDE alerta: 9% dos professores no Brasil não têm qualificação completa, próximo à média global

Um novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) trouxe um dado preocupante sobre a educação básica pública no Brasil: cerca de 9% dos professores não possuíam qualificação completa entre 2024 e 2025. Este percentual se aproxima muito da média dos países membros da OCDE, que é de 9,1%, indicando um desafio significativo no corpo docente brasileiro.

O indicador, detalhado no documento “Panorama da Educação 2026”, considera docentes sem diploma, certificação ou formação pedagógica adequada. A OCDE aponta que a contratação de profissionais sem as qualificações consideradas padrão muitas vezes ocorre devido à escassez de professores, um problema que afeta especialmente certas regiões e disciplinas no país.

A falta de docentes é mais acentuada em áreas remotas ou vulneráveis, e a escassez se concentra particularmente em matemática e ciências naturais. O relatório, divulgado nesta terça-feira (29), analisa as causas dessa carência e seus impactos nos sistemas educacionais. Conforme divulgado pela OCDE, a valorização dos professores é vista como crucial para o futuro do Brasil.

Escassez de professores e desafios regionais

A OCDE destaca que a dificuldade em recrutar e reter professores qualificados é um obstáculo persistente. No Brasil, essa carência é mais sentida em regiões específicas e em disciplinas como matemática e ciências. A falta de profissionais nessas áreas pode comprometer a qualidade do ensino oferecido aos estudantes.

A publicação “Panorama da Educação 2026” também aborda a questão da permanência dos professores na rede pública. Em 2022, o Brasil registrou que 10,3% dos professores plenamente qualificados deixaram a profissão, seja por aposentadoria ou demissão. Este índice é superior à média de 6,4% observada nos países da OCDE.

O superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, ressalta que a análise deve ir além do número de formados, considerando quem chega à escola, com que formação, para ensinar quais disciplinas, em que território e por quanto tempo consegue permanecer. Essa perspectiva mais ampla é fundamental para entender e solucionar o problema da escassez de professores qualificados.

Condições de trabalho e salários impactam a carreira docente

A atratividade da carreira docente é influenciada por diversos fatores, como salários, condições de trabalho, relacionamento com alunos e famílias, clima escolar, autonomia profissional e reconhecimento público. No Brasil, a satisfação dos professores com as condições de trabalho em 2022 era de 44,3%, bem abaixo da média de 68,4% dos países da OCDE.

Quanto aos salários, apenas 22,3% dos docentes brasileiros se declararam satisfeitos, contra 38,7% na média da organização. O Ministério da Educação (MEC) afirma que busca a valorização salarial, citando o Piso Nacional do Magistério, atualmente em R$ 5.130,63, como um dos esforços nesse sentido.

Políticas públicas para atrair e formar professores

Em resposta aos desafios, o MEC tem implementado políticas voltadas para a valorização e atração de novos talentos para a docência. O programa Mais Professores para o Brasil, criado em 2025, busca fortalecer a carreira docente com diversas ações. Outra iniciativa importante é o Pé-de-Meia Licenciaturas, que visa atrair estudantes para cursos de formação de professores.

Segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini, o programa Pé-de-Meia Licenciaturas registrou um aumento de 106% nas matrículas de estudantes de alto desempenho no Enem em cursos de licenciatura entre 2024 e 2026. O ministro destacou que “cada vez mais, jovens estão enxergando na docência um projeto de vida”.

O MEC também tem investido em medidas de formação continuada e inicial, como o acompanhamento anual da qualidade dos cursos de licenciatura via Enade, o fortalecimento do Pibid e a reformulação da formação inicial. Essas ações buscam garantir que mais professores qualificados atuem na educação básica brasileira.

Segunda carreira como estratégia para suprir a falta de docentes

A OCDE aponta a entrada de profissionais que já tiveram outras carreiras como uma estratégia eficaz para combater a escassez de professores. No Brasil, essa modalidade tem ganhado espaço, com 11,5% dos docentes dos anos finais do ensino fundamental em 2024 vindo de outras áreas, superando a média de 8,4% dos países da OCDE.

O “Panorama da Educação” é uma publicação anual da OCDE que compara sistemas educacionais. O Brasil participa desde 1997, com dados tratados e indicadores nacionais calculados pelo Inep. A análise contínua desses dados é essencial para direcionar políticas públicas e melhorar a qualidade da educação no país, garantindo que professores qualificados estejam presentes em todas as salas de aula.

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